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quarta-feira, 28 de março de 2012

Aborto? Muito além dos fetos...

MUITO ALÉM DOS FETOS

copiado do blog da Lola


 Adorei este texto que peguei e traduzi daqui.  A primeira pergunta é aquela típica que tod@s que defendemos a legalização do aborto já ouvimos. O resto é uma resposta à altura. Em forma de pergunta. 

“E se o bebê que você abortou pudesse ter encontrado a cura do câncer?”
E se a pessoa trans espancada até à morte pudesse ter encontrado a cura do câncer?
E se o adolescente gay que se suicidou por causa de bullying pudesse ter encontrado a cura do câncer?
E se aquela jovem menina vendida pro tráfico sexual e morta por doenças  sexualmente transmissíveis que não foram tratadas pudesse ter encontrado a cura do câncer?
E se um desses centenas de milhares de civis que foram mortos durante a guerra pudesse ter encontrado a cura do câncer?
E se aquela mulher que foi estuprada e depois morreu de complicações internas pudesse ter encontrado a cura do câncer?
E se todas as pessoas do planeta que não têm acesso ao ensino superior e viverão e morrerão na pobreza pudessem ter encontrado a cura do câncer?

segunda-feira, 26 de março de 2012

Homossexual morre após ser agredido por neonazistas no Chile


Homossexual morre após ser agredido por neonazistas no Chile

Visto no site da Veja e em homorrealidade
Com informações da agência EFE

Um jovem homossexual chileno que foi agredido por um grupo de neonazistas foi declarado com morte cerebral pelos médicos que o atendiam desde o início do mês, quando ele foi atacado em Santiago.

Ainda segundo os médicos, o estado dos órgãos de Daniel Zamudio, de 24 anos, se deteriorou a tal ponto que eles não poderão ser doados.

Um grupo de neonazistas que foi detido pela polícia agrediu brutalmente o rapaz no dia 6 de março. Eles arrancaram parte de uma orelha de Zamudio, marcaram seu corpo com símbolos neonazistas, o apedrejaram e quebraram uma de suas pernas.

O Movimento de Integração e Liberação Homossexual (Movilh), familiares e amigos de Daniel Zamudio fizeram uma vigília na noite de sábado em frente ao hospital onde ele estava internado na capital chilena.

O advogado da família de Zamudio, Jaime Silva, disse aos jornalistas que se Daniel falecesse, estaria consumado 'um crime de homicídio premeditado'.

'A Justiça chilena considera este um dos crimes mais graves e prevê a pena máxima, que é prisão perpétua qualificada, ou seja, 40 anos de prisão efetiva antes da tentativa de redução da pena', disse Silva em entrevista à 'Rádio DNA'.

O presidente do Movilh, Rolando Jiménez, afirmou que 'é da maior gravidade que ainda haja no Chile grupos como os neonazistas que atuam com absoluta impunidade, e isso se dá, entre outras coisas, porque a classe política e o Estado chileno não se deram conta do quão perigosos são estes grupos'.

Até mesmo o cantor porto-riquenho Ricky Martin, via Twitter, comentou o ataque que resultou na morte de Zamudio.

'Chega de ódio e de discriminação. Espero que se faça justiça já. Muita luz para Daniel e toda sua família. #fuerzadanielzamudio', escreveu o astro.

Por sua vez, o ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, anunciou que o governo pôs em caráter de urgência o projeto de lei contra a discriminação aprovado pelo Senado e que está em trâmite na Câmara dos Deputados.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Cura para homossexuais na igreja?!?


"Entrevista com o Fundador do grupo de cura de homossexuais" por William De Luca

Por William De Luca para o Eleições Hoje do Gay 1
Dica de Cláudio Guerra (via Facebook)
Visto em homorrealidade

Fundador de grupo de ‘cura de homossexuais’ que e se assumiu gay revela: “Ninguém deixava de ser gay, houve relacionamentos até dentro do grupo”

Nada melhor do que um exemplo para refutar a eficiência de tratamentos para a conversão de orientação sexual, que dizem que gays podem se ‘converter’ em heteros. O professor de inglês, filosofia e teólogo carioca Sergio Viula, 42 anos, foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), ONG evangélica que dá auxílio a pessoas que desejam abandonar a homossexualidade. Ele casou-se, teve dois filhos e viu de perto os métodos de ‘reorientação sexual’. Sergio conversou comigo com exclusividade, e mostra que os métodos de mudança de orientação sexual são ineficazes e causam dor e sofrimento a quem se dispõe a passar por qualquer deles.

Como começou sua vida junto à igreja evangélica? Como foi a sua entrada?

Eu comecei aos 16 anos, numa igreja noepentecostal, mas depois migrei para a igreja batista. Eu me converti a partir da pregação de colegas, não era de família, que era católica. Hoje parte é católica e parte é evangélica.

Nessa época você já sabia que era gay? Já tinha tido relacionamentos com guris?

Havia tido relacionamentos gays, sim, mas não assumia, eu pensava que fosse passageiro. Meu primeiro relacionamento foi aos 12 anos, com um garoto um pouco mais velho, de forma escondida, é claro, durante dois anos. Na verdade, queria pensar que tudo isso fosse passageiro, por causa das pressões em casa. Minha família era muito tradicional.

Como foi o processo de “virar ex-gay”?

Na verdade, ex-gay não existe, é pura auto-sugestão. Eu comecei a ir à igreja e percebi que os homossexuais não tinham como lidar com suas ‘dificuldades’, por falta de orientação das lideranças, então decidi fundar o Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), junto com João Luiz Santolin e Liane França. Foi aí que comecei realmente a dizer em momentos oportunos que era ex-gay.

Você nunca se convenceu que tinha virado ex gay? Sempre soube que estava se enganando?

Hoje sei que estava me enganando. Na época, pensava que qualquer sentimento ou atração fosse mera ‘tentação’ e que isso poderia ser superado com oração e dedicação a deus. No grupo, basicamente, pensávamos que ser gay fosse pecado, que devia ser confessado e abandonado e para isso, fazíamos proselitismo, aconselhamento, oração, pregação, recomendávamos certos livros, leitura bíblica, coisas que os crentes geralmente fazem, mas com foco na homossexualidade, sempre demonizando a homoafetividade, infelizmente. Eu trabalhei com a igreja num total de 18 anos, o Moses começou em 1997, em 2003 eu estava fora, foram quase sete anos. Tínhamos psicólogos parceiros e contávamos com vários voluntários. Uma vez enchemos um ônibus e levamos para o Miss Brasil Gay em Juiz de Fora só para evangelizarmos os LGBT que foram ao evento, mas na diretoria eram cerca de 10 pessoas.

Mas como era esse processo de ‘abandonar o pecado’? Era como um tratamento?

Isso não acontecia de fato, era o que se chamava discipulado, acaba sendo uma lavagem cerebral. Você tem que se isolar do seu antigo círculo de amigos, começar a se enfiar nas reuniões da igreja, fazer sessões de aconselhamento, orar, jejuar, essas coisas. Quando acontecia de alguém se envolver com outro homossexual, ele tinha que confessar o que fez, UMA LOUCURA DO CARALHO! Desculpe, mas ainda hoje tenho até raiva de lembrar disso.

Por que raiva?

Ninguém deixava de ser gay, houve relacionamentos até dentro do grupo, entre uma atividade e outra da igreja, eles sempre arrumavam tempo pra isso. Você consegue imaginar quanto sofrimento para mim mesmo e para todos os que atuaram ou foram influenciados por esse trabalho? É irritante! E tem gente até hoje repetindo esse discurso imbecil.

O que tu sente quando vê pessoas como o pastor Silas Malafaia fazendo pregações do tipo que você fazia? É um discurso parecido?

Ele é um idiota! Eu era um garoto quando me envolvi com tudo isso, tinha pouquíssima experiência de vida e não ainda não havia tanta informação como hoje. Agora, ele atua na base da má-fé mesmo, com interesses financeiros, projetos de poder, etc. E diz ele que nunca foi gay, será? Fico muito desconfiado de gente que gasta tanta energia e dinheiro para combater algo que não tenha nada a ver consigo mesma. Entendo heterossexuais que compreendem os riscos da homofobia, mas não entendo heterossexuais que quase surtam só por saberem que os gays estão felizes, saudáveis e produzindo para o país…

Será que não é pra ter uma bandeira atualmente? Ganhar visibilidade, sei lá…

Não deixa de ser má-fé. Só confirma minha tese.

Quando você decidiu que era momento de parar? Você saiu do movimento ao mesmo tempo em que saiu do armário?

Sim, saí ao mesmo tempo. Tudo aconteceu quando eu tive certeza de que já tinha feito e crido ao máximo. A gota d’água foi uma viagem a Cingapura, durante a qual conheci um filipino e fiquei com ele. Já voltei decido que iria colocar um fim nessa panacéia. Fiz isso e comecei imediatamente a repensar diversas das minhas posturas e crenças, levou ainda dois anos para que eu dissesse tudo o que digo até hoje. Houve perseguição por parte do Moses, muita gente ficou em choque, mas eles tiveram que se dobrar, pois minha atuação no movimento era grande. Minha maior projeção, porém, se dava na igreja. Eu era pastor, editor do jornal Desafio das Seitas, que teve seu auge durante minha atuação, e por aí vai…

E na sua família? Qual foi a reação?

Houve um choque por parte dos meus pais, mas meus filhos nunca criaram problema, só ficaram perplexos, porque eu saí da igreja, já que eu era tão dedicado. Separei-me da mãe deles, mas isso não criava grandes problemas, aparentemente. Só me perguntaram francamente sobre o assunto aos 12 (ela) e aos 11 (ele). Ambos compreenderam numa boa e sempre foram meus amigos. Relacionam-se muito bem comigo e com meu parceiro Emanuel.

Você hoje se sente completo, feliz?

Sim, hoje me sinto em paz comigo mesmo, feliz e me pergunto como pude ter suportado tanta castração inútil por tanto tempo.

Você acha que o que vocês faziam era uma violência, contra vocês mesmos, e contra os outros?

Sim, era uma violência contra nós mesmos, por termos internalizado a homofobia que nos circundava desde cedo, e contra os outros, porque reproduzíamos essa mesma homofobia que eles mesmos já tinham internalizado. Só reforçávamos ainda mais isso.

Você não apenas largou a igreja, o movimento, como deixou de acreditar em deus… Como se deu isso?

Isso se deu em função de questionamentos honestos e ousados sobre deus/deuses, escrituras cristãs e de outras religiões, igreja e outras instituições religiosas. Meu pensamento e atitude com relação a ideia de deus/deuses não é mero fruto de sofrimento com essa ou aquela igreja ou crença. Na verdade, muitas igrejas se abriram para mim quando saí do armário e confessaram seu interesse em que eu, não só participasse da vida da igreja, como ministrasse como pastor dela. O próprio bispo fundador da Metropolitan Community Church, Troy Perry, me disse isso pessoalmente. Também não foi por ver mau comportamento de crentes em geral, uma vez que conheço alguns que considero pessoas fantásticas até hoje (tanto do mainstream evangélico e protestante, como das modernas igrejas inclusivas). Tendo isso em mente, nem deus, nem escrituras, nem igrejas passam pelo crivo da razão, e não me refiro à razão de uma mente brilhante como a de Nietzsche, Darwin, Sartre, Hopkins, Dawkins, etc., refiro-me à razão de uma mente mediana como a minha. Não posso ir contra mim mesmo e contra aquilo que enxergo tão distintamente. No entanto, defendo a liberdade. E por isso, crer e não crer são coisas que não podem ser controladas, coibidas, exceto quando colocam os direitos humanos em xeque.

Pra terminar, o que você diria pra um jovem gay que está passando por este processo de ‘cura espiritual da homossexualidade’? Vale a pena?

Conversão religiosa que não admite e CELEBRA sua homossexualidade não merece seu tempo e talento. Se quiser frequentar alguma comunidade, procure uma que tenha maturidade até para questionar a validade das assertivas religiosas. Mas, preferencialmente, viva sem depender de muletas existenciais quaisquer que sejam elas. Aproveito para sugerir a leitura de um post  escrito por mim. Esse post nasceu do esboço de uma palestra que dei na Igreja Ecumênica de Copacabana por ocasião das comemorações do dia da Bíblia no calendário católico. Foi esse ano.

William De Luca é repórter de economia do Jornal da Paraíba. Jornalista, ativista LGBT.

Cristianofobia??? TEM CABIMENTO???


"Do avesso" Por Daniela Ortolan



Por Daniela Ortolan
Dica de Augusto Martins 
visto no homorrealidade

O que mais me assusta nem é o negrito no trecho “A decisão foi uma resposta ao pedido da Liga Brasileira de Lésbicas”, mas sim, a palavra CRISTIANOFOBIA estampada no topo. Cristianofobia????? A expressão de indignação “MEU DEUS!” nunca coube tão bem a uma situação.

É muito fácil inverter as culpas, os valores, os preconceitos. Os homossexuais já estão acostumados a assistir esses tipos de trocas: o religioso senta na bíblia e diz que todos os homens são benvindos na casa do Pai, enquanto o homossexual não pode comungar. O homoafetivo não pode viver sua religião em plenitude porque “escolheu” se relacionar afetivamente com pessoas do mesmo sexo. Isso deixa claro que a decisão de não frequentar igrejas e manter uma vida religiosa não é do homoafetivo – ele é privado do cristianismo ou, melhor dizendo, por algumas vertentes interpretativas do mesmo.

A decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul  não poderia ser mais justa. Vivemos num país laico – muito laico! – isto é, aquele que não possui uma religião oficial, mantendo-se neutro e imparcial no que se refere aos temas religiosos. Geralmente, o Estado laico favorece, através de leis e ações, a boa convivência entre os credos e religiões, combatendo o preconceito e a discriminação religiosa. Desta forma, no Estado laico, a princípio, todas as crenças são respeitadas, não há perseguição religiosa.

Na Constituição Brasileira há um artigo que garante liberdade de culto religioso. Há também, em nosso país, a separação entre Estado e Igreja. O que é incompreensível que haja partidos políticos com princípios religiosos atuando cegamente em nosso país.

Assim como na política, a justiça também deve ser feita para todos, tornando-se neutra. Como em tese é feita para todos, sem exceções, a Justiça não deve ostentar nenhum culto religioso, assegurando uma avaliação sensata dos cidadãos brasileiros que cultuam tantos tipos de credos diferentes.

Antes de levantar uma bandeira que denuncia um crime (no caso a Cristianofobia), averigue se não está cometendo o mesmo crime dentro de um contexto tão amplo e tão delicado. Não julgue sem antes estudar as possibilidades e o porquê decisões como essas são tomadas. Não misture religião com política e justiça: só assim o Brasil caminhará para frente. Quando o homem realmente utilizar a sua fé para o bem coletivo, entenderá o que é igualdade.

Parabéns Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul por praticar aquilo que lhe é cabido  verdadeiramente!




Minha opinião, copiado da discussão do fb:

"Eu soh acho um absurdo comparar querer comparar crimes de odio com a retirada de crucifixos, por favor neh... Eh igual falar de heterofobia, claro q eu nao sou, ate tenho pais hetero e eu amo eles mesmo assim...hahaha

Ja as crente pode ate ESCOLHER morrer por cristo enquanto o gay nao tem outra opcao "brincadeirinha eu nao sou gay nao seu nazista, mudei de ideia"

e como uma amiga colocou
"HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Ai ai, pera, deixa eu tomar um folego.... uffa... pronto... Depois dessa piada, só queria deixar aqui meus parabéns à LBL e ao TJ do RS. Mas quero deixar bem claro que, não tenho nada contra os Cristianos... até tenho alguns amigos Cristianos, só não gosto quanto se "Cristianizam" em público, afinal, nem todos somos obrigados a ver isso, inclusive as nossas crianças."

beijin
s2
L.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Chegamos ao limite! ESSA MÃE DIZ: CHEGA DE MORTES!


copiado do blog homorrealidade

Há dez anos o filho de Marlene Xavier, uma das "Mães pela Igualdade", foi assassinado por ser gay. O assassino inclusive confessou a polícia em seu depoimento " Não suporto homossexuais". O assassino vem de uma rica e poderosa família e por isso, segue livre. Mesmo assim, Marlene busca por justiça.

A história de Marlene é comum no Brasil. E o país caminha a passos largos para se tornar o lugar mais perigoso para gays, lésbicas, bissexuais e trans. A violência segue aumentando e a ausência de legislação que criminalize a homofobia piora a situação.

Ajude a Marlene em sua luta por um Brasil mais tolerante e igualitário:


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

MAIS UM ATAQUE

ATE QUANDOOOOOOOOO???

SERIO GEINTTTTTTTTTTTTTTTTTT
olha que menino lindo... e olha o q "o pecado que habita nele" faz ele sofrerrrrrr
deus q me perdoe mas
PQP EM
e isso continua justificando uma "bancada evangelica" em nome do filho de deus
no congresso a ficar boicotando uma lei que criminalize especificamente estes casos.
PQP EM

Gracas a Deus não fui eu AINDA
vai ver tem gente q ora por mim neh...

segue a reportagem
bej
L.


Homofobia: Jovem de 20 anos é espancado em Porto Alegre
Por redação da revista Lado A - 08/02/2012


Ao se observar as duas fotos ao lado não se presumem que sejam da mesma pessoa. Mas são. E a causa do espancamento que deixou o jovem de apenas 20 anos Willian dos Santos irreconhecível foi o fato de ele ser homossexual. Na noite do último domingo, dia 05, o rapaz voltava do cinema no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, quando, próximo a UFRGS, foi abordado por dois rapazes que o xingaram e já partiram para a agressão.

O resultado daqueles poucos minutos de terror, em que foi derrubado e chutado por todos os lados, foi: quatro dentes quebrados, hematomas por todo o corpo, cortes e ferimentos graves na cabeça. Ele não sabe quanto tempo foi alvo dos agressores, já que acabou perdendo os sentidos. Apesar de alguns itens furtados, o seu celular permaneceu intacto, o que sugere que a agressão teve motivação homofóbica.

Em sua página no Facebook, Willian declarou aos amigos: "meu sono tem sido dificil, pesado, doloroso... mas estou melhorando... vou ficar bem bem bem... logo logo...", disse depois de agradecer o apoio e afirmar que espera justiça.

Willian registrou boletim de ocorrência, em que consta homofobia como motivo da agressão, e denunciou o caso a ONGs gays. Apesar de vitimado, ele não se fechou no silêncio e na dor do momento. Mas fica a pergunta do jornalista Alexandre Bôer do grupo SOMOS Comunicação, Saúde e Sexualidade, de Porto Alegre, que noticiou no site da instituição o caso: “Quantos gays, travestis e lésbicas precisarão ter seus rostos desfigurados ou suas vidas ceifadas para que o Congresso Nacional aprove uma lei que torne a homofobia um crime, assim como o racismo?”

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Um beijo pras Trans!!! ;*

copiado do blog Ideias Canhotas


        Recentemente recebi uma imagem que circulava na rede separando os gays em "bichinhas e homossexuais"(é esta imagem que abre o post), abaixo da imagem li inúmeros comentários e revi algumas coisas que sempre me chamaram a atenção: a primeira, a necessidade de se enquadrar e limitar as coisas ou os comportamentos; e a segunda, reflexo da primeira, é a forma como as pessoas falam de si mesmas quando se referem à sua orientação sexual.

        Quem nunca ouviu uma pessoa dizendo que é gay, mas é supernormal, não é efeminado, não tem trejeitos de gays, é super discreto, é tão normal nem sequer parece ser gay? Indo mais além, quem nunca ouviu algumas pessoas dizendo que não são e não gostam de efeminados, dos viadinhos, das pintosas, de gente que fala fino demais ou que tem trejeitos, de pessoas espalhafatosas que chamam a atenção pra si?
Já fiz muito isso, até já contei por aqui que apontava meu dedinho para tudo quanto é lado e distribuía muitos julgamentos.

        Não sei o que passava na minha cabeça, aliás, sei sim! Eu acreditava que ser LGBT e ser digno era duas coisas que se opunham de tal forma que era impossível viver dignamente não sendo heterossexual.

Vanessa, travesti de Ji=Paraná
        Não parecer LGBT, era mais que um mecanismo de defesa, era uma qualidade e uma condição fundamental para que eu fosse respeitado. Qualidade esta que devia ser preservada, reforçada e exaltada.
       Vivia me policiando para não ter nenhum tipo de comportamento que pudesse ser identificado como gay, que desse a entender que eu era diferente, que evidenciasse minha verdadeira orientação. O futebol sempre me entregou!

        Como não consegui negar o que sou, durante um tempo me tornei no dizer de uma amiga, um gay de respeito. No entender dela, um gay de respeito é um gay que se nega, que socialmente se passa por aquilo que não é, que nega sua sexualidade, seus desejos, enfim, um gay que fica com meio corpo fora do armário, e na primeira complicação volta correndo para dentro dele. E hoje, observando a maneira como as pessoas se descrevem, vejo que não era só eu que pensava desta maneira... Muita gente pensa assim!

        Há uma cultura da invisibilidade, uma apologia a negação de si próprio, uma recomendação sutil de que devemos levar uma vida “contida”, isto é, sejamos gays e lésbicas, mas vivamos sob uma roupagem heteronormativa, nos tornemos palatáveis para turma da moral e dos bons costumes, sem chocar ou levantar bandeiras.

        E olhando para essas pessoas que vivem angustiadas e presas em convenções sociais é que cresce meu respeito e minha admiração pelas travestis e pel@s transexuais.

        Não tenho dúvidas de que são as travestis e transexuais as mais agredidas, as mais atacadas e as mais incompreendidas. São as que mais têm direitos negados, as que mais são discriminadas. Inclusive pela população LGBT.

Camille Gerin, Vítima de Homofobia

        São as travestis que mais encontram dificuldades de ingresso no mercado de trabalho, de acesso aos serviços públicos. Sofrem com a falta de atendimento e tratamento adequado, com a carência de políticas públicas que atendam suas especificidades. São elas que são as mais apontadas na rua, na escola, alijadas do meio familiar, invisíveis para o poder público. Sob elas ainda pesa o estigma da marginalidade. E a elas muitas vezes, é negado um dos direitos mais fundamentais do ser humano: o direito a um nome!

        Durante muito tempo travestilidade e transexualidade, para mim, eram sinônimos de sujeira, imoralidade e prostituição. Por anos acreditei no estereótipo de travesti que me passaram: barraqueiras, agressivas, desbocadas e ainda usavam gilete no dente. Figuras ameaçadoras, que resolviam tudo na base do tapa.

        Me incomodava estar num mesmo ambiente ou lhes dirigir a palavra. Pensava que se existia um grupo que devia ser discriminado, este era o das travestis, já que elas faziam por merecer. A regra da discrição servia para tod@s e se tem um segmento que chuta para longe essa regra são as travestis. Mereciam as pedradas e as dificuldades que a vida lhes impunha por “não saberem se comportar decentemente”. Sinceramente ainda tenho certa dificuldade de compreendê-las, mas passei a olhá-las de outra forma.

Luiza Marilac, tema do 1º.
Post do Canhotas
        Todas as travestis que conheci são pessoas imponentes, valentes, combativas e assertivas, mesmo as que não são militantes. Tem consciência da discriminação que sofrem, dos preconceitos, das agressões a que estão sujeitas, e de que a vida não é fácil! Reagem a isso, nem sempre da melhor maneira, mas  enfrentam tudo de cabeça erguida, argumentam e dão combate.
        Com o tempo percebi que o que me incomodava nas travestis não era a falta de discrição e sim o fato de que as travestis me tiravam do meu lugar confortável de gay respeitável. Eram elas a expressão mais clara de que era possível viver como se quer, não importando o tamanho das dificuldades, dos perrengues ou do que os outros iriam pensar.

        Elas atestavam a minha covardia, a minha falta de coragem e os meus preconceitos. Uma demonstração clara de que eu ainda tinha muitas amarras para soltar e correntes para me livrar.

        Aí num exercício de humanidade levei meu olhar para além do que meus olhos estavam acostumados a enxergar, para além do que meus preconceitos me diziam e vi nas travestis e transexuais pessoas tão frágeis como todo e qualquer ser humano, cheias de sonhos, planos, vontades e, acima de tudo, cheias de coragem pra enfrentar os desafios cotidianos. Mas o melhor foi percebê-las cheias de vida, de alegria, de graça e delicadeza, mesmo com todas as dificuldades que a vida lhes impõe!

        São humanas, capazes de grandes gestos de solidariedade, de demonstração de carinho e cuidado com o próximo, e por incrível que pareça, tem gente que insiste em ignorá-las, como se fosse possível!

         Admiro as travestis e @s transexuais, pois além de me tirarem da minha zona de conforto, elas transgridem e transcendem qualquer rótulo que a sociedade, os acadêmicos, o poder público, ou quem quer que seja, tentem lhes impor. Estão acima de definições, são complexas, intensas, únicas e vivas demais para se sujeitaram a ficar presas nas molduras que tentam lhes colocar!

        Vivem a me surpreender e ter a oportunidade de conviver com elas é receber uma lição nova a cada dia. Lição de vida, de solidariedade, de luta!

        À elas a minha admiração e o meu profundo respeito. 
        E um beijo para quem tem a coragem de ser travesti!



Texto original no blog Ideias Canhotas

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PLC 122!? ainda não...


Projeto que criminaliza homofobia provoca bate-boca no Senado e tem votação adiada!

Visto no G1 e no homorrealidade

A discussão do projeto de lei que criminaliza a homofobia provocou bate-boca nesta quinta-feira (8) na Comissão de Direitos Humanos do Senado. A discussão lotou o plenário da comissão de pessoas contra e a favor da proposta.

Durante a discussão, a senadora Marinor Brito (PSOL-PA), que já discutiu com o deputado Jair Bolsonaro por conta do projeto, bateu boca com um integrante de grupo religioso. A senadora alegou ter sido xingada e, no microfone, gritou: "Você me respeita".

Depois disso, uma gritaria se instalou na comissão e o presidente da CDH, senador Paulo Paim (PT-RS), precisou apertar a campainha e desligar o microfone da senadora Marinor Brito.



Em meio a manifestações, gritarias e bate-boca, a relatora projeto, senadora Marta Suplicy (PT-SP), anunciou o adiamento da votação para reexame do projeto.

De acordo com Marta, a matéria ainda não é consenso entre os senadores e os diversos segmentos da sociedade envolvidos. Para ela, é necessário uma “busca de maior entendimento”.

Em seu pronunciamento, Marta disse que “não se constrói uma sociedade com intolerância de nenhum lado” e que o projeto provavelmente não vai acabar com a homofobia no país, “assim como o racismo não acabou, mas vai ajudar”.

A senadora disse ainda que o texto vai apenar todos os comportamentos violentos, de qualquer natureza. As agressões aos gays constituirá crime, destaca Marta: “O policial que dá de ombros não poderá mais dar de ombros. O policial vai ter que agir”.

O senador Magno Malta (PR-ES) chegou a ser vaiado ao dizer que o Brasil “não é um país homofóbico”.

Para Magno Malta, o projeto não será votado: “O PLC 122, jamais votaremos”, disse o senador, que defende um projeto de lei a respeito da “intolerância” contra todos os tipos de preconceito e não apenas uma lei que expõe apenas a homofobia como crime.

“Agora é um momento de construir um texto que verse sobre intolerância, um texto que ninguém possa sofrer intolerância. A nação não é homofóbica”, concluiu o senador.

Veja notícia no G1: clique aqui

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Não é homofobia...


Não é homofobia: uma história real

por Ruleandson do Carmo


"- A Constituição nos dá o direito à livre expressão.
- O direito à livre expressão não dá a ninguém o direito de cometer um crime"
(Law & Order: Special Victims Unit)


Eu tinha dois anos de idade e gostava de imitar Michael Jackson, quando o via dançando na TV. Era louco com ele. Saí um dia com meu pai e fiquei murmurando a música do Michael e rebolando com minha mãe. "Seu filho já nasceu boiola", disse o amigo do meu pai que só parou de rir quando fomos embora. Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.

Aos quatro anos comecei a dançar Ballet no Núcleo Artístico em Belo Horizonte, meus pais, irmão, avó e madrinha estavam nas apresentações e premiações, o restante da família e amigos não: "Isso não é coisa de homem. Não faz essas coisas de mariquinha", eles diziam. Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.

No pré-primário a professora me colocava sempre junto das meninas, pois os meninos me batiam, e não gostavam de sentar "perto da bichinha". Não era homofobia, eles apenas estavam se expressando.

Na primeira série pedi à diretora para apresentar uma peça de teatro na escola, apresentei e alguns me xingaram de "boiola, bicha" etc. Meu pai foi à escola reclamar e a professora disse a ele "tratam seu filho assim porque ele não é normal". Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.

Na quarta série um colega de sala me deu um tapa na cara e gritou comigo, "veadinho, essa vozinha de galinha". Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.

Na quinta série, no colégio, o diretor e a pedagoga mandaram chamar minha mãe. "Seu filho dança ballet, escreve teatro, só anda com as meninas, não joga futebol. Seu filho tá virando veado e a senhora apoia, não faz nada?". Minha mãe me defendeu, a chamaram de louca e ela me levou embora, aos prantos. Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.

Também na quinta série, participei das Olimpíadas da escola, na modalidade salto à distância. Quando você corre e pula, naturalmente seus olhos arregalam. Quando pulei, jogaram areia nos meus olhos e gritaram "pula, bichinha". Fiquei alguns dias com os olhos feridos. Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.

Algumas mães e irmãs de alguns dos poucos amigos homens que tinha pediram a eles, na minha frente, para se afastarem de mim, pois poderiam "ficar mal falados". Não era homofobia, elas estavam apenas se expressando.

Entre a sexta e a oitava série, me batiam de vez em quando no final da aula, me derrubavam nas aulas de educação física, alternavam meus apelidos entre "RuleBambi" e "Bailarina", e sempre repetiam "vira homem, veado". Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.

Na oitava série eu queria dançar quadrilha. Nenhuma das meninas quis dançar comigo, elas riam "Ah, Ru, você tinha que ser mais homem ou dançar com homem". Fiquei triste, e a professora de educação física disse "eu danço com você". Não era homofobia, elas estavam apenas se expressando.

No segundo grau mudei de escola e lá apanhei também. A diretora me mudou de sala, os novos colegas riam, mas não me batiam. Não era homofobia. Eles estavam apenas se expressando.

Quando trabalhei de garçom junto com meu pai, um dia fui sozinho. O cara que ficou de chefe no lugar do meu pai ordenou que "carregasse sozinho os botijões. Vamos ver se ele é homem mesmo". Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.

Na faculdade, um colega de turma me agrediu fisicamente, pois eu o abracei quando o vi durante o almoço. "Tá me estranhando? O que você quer?", me disse ele. Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.

Formado, trabalhando em um jornal impresso em início de trajetória, meu chefe me comunicou minha demissão "meu sócio, dono das máquinas disse que não quer veado no jornal". Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.

Pouco depois uma amiga me convidou para a festa da irmã, eu e nosso grupo de amigos. Todos ganharam dois convites. Eu ganhei só um. Quando pedi o segundo convite ela me disse "Ru, é uma festa de família, não fica bem se você for acompanhado". Não era homofobia, ela e a família dela estavam apenas se expressando.

Certa vez, na Savassi, região nobre de Belo Horizonte, estava sentado na praça com meu par, um cara passou e cuspiu em nós. "Que nojo" ele disse, fomos defendidos por um policial. Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.

Em 2008, escrevi sobre o preconceito contra gays e divulguei o texto no Orkut. Uma comunidade dita católica contra "homofacistas" (como alguns chamam os gays anti-homofóbicos) fez uma série de denúncias contra meu perfil ao Google, dizendo ter conteúdo impróprio, me perseguiram e ameaçaram virtualmente. Tive que criar outra conta no Orkut. Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.

São alguns dos tristes trechos dos quais me recordo. Já fui e sou desacreditado, oprimido e violentado verbal e fisicamente por pessoas que nunca esconderam o motivo para tal: eu ser gay. Mas, não se preocupe, não vou me fazer de vítima, não vou culpar a sociedade ou algum participante bronzeado, prateado ou dourado do Big Brother Brasil. Não, não era homofobia, nunca é. Eles sempre estavam e estão apenas se expressando. Eu também.


"- Eu não entendi o que você quis dizer...
- Eu não esperava que você entendesse!"
(Heroes)


por Ruleandson do Carmo

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"The gay from Ipanema" Por Alê Youssef




"The gay from Ipanema" Por Alê Youssef



Por Alê Youssef para a Revista TRIP, visto no blog homorrealidade

Em ilhas de liberdade como a rua Farme de Amoedo, no Rio, é possível sentir o bem-estar que só a a civilidade do respeito às diferenças pode proporcionar

Estou implantando o Studio RJ, versão carioca do Studio SP, e por isso mesmo tendo o imenso prazer de passar dias inteiros de frente para a praia de Ipanema, conhecendo a rotina e entendendo os hábitos desse bairro tão emblemático. Muito próxima ao meu novo local de trabalho está a famosa rua Farme de Amoedo, conhecida como o mais importante point gay do Rio de Janeiro e talvez de todo o Brasil.

Em uma extensa faixa de areia de Ipanema, ao redor de onde a rua desemboca na praia, é possível ver centenas de lindas bandeiras do arco-íris e sentir um pouco do bem-estar que só a civilidade do respeito às diferenças pode proporcionar. Sensação igual a essa pode-se ter andando pelas charmosas ruelas do Marais em Paris, pelas históricas calçadas do Castro em San Francisco ou pela animadíssima rua Frei Caneca em São Paulo. Às vezes tenho até certa pena daquela parcela tosca de preconceituosos da sociedade que simplesmente não pode sentir essa sensação de orgulho da própria condição humana, que esses pequenos espaços de liberdade, cabeça aberta e resistência podem proporcionar.

Ecos dessa conquista de territorialidade estão espalhados por todo o país. Nas paradas gays, que já fazem parte das agendas de todas as cidades, nas diversas mídias especializadas que refletem sobre a questão, na iniciativa de empresários que focam o trabalho no universo LGBT, na bombação da noite gay e nos diversos eventos culturais que celebram toda essa cena.

Homofobia é crime

Há mais de 15 anos acompanho de perto a discussão política sobre o tema e posso afirmar que todas as conquistas recentes são fruto da explosão comportamental de uma parcela da sociedade civil. Por meio da exposição de hábitos, rotinas e estilos de vidas, ela conseguiu vitórias sustentadas por uma espécie de bom-senso coletivo, que nasce, creio eu, justamente dessa compreensão sobre como é melhor viver em um mundo, ou andar em ruas, onde exista o respeito.

Apesar das atuações importantes de parlamentares dentro do Congresso Nacional – como Marta Suplicy, ainda como deputada e hoje como senadora, e de Jean Willys, deputado que vem se destacando com um mandato firme e participativo – , a bancada conservadora impede avanços e impõe acordos que deformam propostas legislativas e avanços importantes, como a necessária lei que criminaliza a homofobia.

Entretanto, a causa LGBT vai colecionado vitórias junto à sociedade civil e avançando da maneira que pode. A recente decisão que oficializou o casamento gay no Brasil, por exemplo, é fruto de um processo de ocupação de espaço nos corações e mentes dos brasileiros. Os ministros do Supremo Tribunal Federal que julgaram a questão com certeza têm alguma forma de contato com o universo LGBT, seja por convivência com algum familiar ou amigo, seja por adorarem o clima dos cafés do Marais.

Sei que ao lado da Farme os pitboys homofóbicos ocupam outra parte da praia e que ao virar na esquina da avenida Paulista um gay vindo da Frei Caneca pode ter que enfrentar a fúria burra de um skinhead. Há muito caminho a percorrer e muito trabalho político a fazer. Eleger mais representantes gays para os espaços de poder, para que os temas urgentes sejam aprovados sem o patrulhamento dos radicais conservadores de plantão, ainda é o caminho mais óbvio dentro da atual lógica política.

De toda forma, fica a esperança de que no mundo novo que se desenha, onde novas formas de participação definirão os rumos das políticas públicas, a sociedade irá reinventar maneiras de conduzir suas causas e levantar suas bandeiras. Nesse mundo, os direitos dos homossexuais são os mesmos direitos dos ambientalistas, que são os mesmos direitos da mulher, que são os mesmos direitos de liberdade de expressão, que são os mesmos direitos de quem luta por uma sociedade menos opressora e mais evoluída.

* ALÊ YOUSSEF, 36, é sócio do Studio SP e um dos fundadores do site Overmundo. Foi coordenador de Juventude da prefeitura de SP (2001-04). Seu e-mail é ayoussef@trip.com.br. Seu Twitter é @aleyoussef

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

"A ostensiva onipresença da homofobia" Por Ivone Pita




"A ostensiva onipresença da homofobia" Por Ivone Pita


Por Ivone Pita para o POLÍTICATICA - GAY1 e no blog homorrealidade

A violência homofóbica está em todos os lugares. Em nossas próprias casas, em nossas famílias, na escola, no trabalho, na rua, pode estar em um ônibus, no cinema, no teatro, na praia ou em uma caminhada pelo calçadão. A violência homofóbica tem muitas formas e graus de expressão e não tem alvo certo. Como toda violência, torna-se descontrolada e, incontrolável, atinge qualquer um, em qualquer lugar e sob qualquer circunstância. A homofobia é um monstro cruel e de muitas faces - uma criatura implacável, de muitos braços, muitas pernas e muitas cabeças – vazias ou cheias de questões mal resolvidas, de ordem sexual, psicológica e social, perpassa todas as classes, todas as instâncias, tem muitas habilidades e acha até que pode ficar invisível, passar despercebida. Não, não fica. Ela passa despercebida apenas aos mais desavisados. Para nós, seus alvos preferidos, mas não exclusivos, ela é bem chamativa, feia e assustadora.

E, sim, temos medo. Muito medo. Não um medo infundado, paranóico, inventado ou apenas suposto. Nosso medo é muito concreto e nos chega através de palavras violentas, cerceamentos, sangue, dentes arrancados, carne rasgada, órgãos esmagados e ossos quebrados, quando não com a cara da morte. Mas depois tudo se transforma em estatística. E eu quero rostos, quero vozes, quero histórias. Eu quero ver a gente que só quer amar. Quero ver as pessoas que por ousarem ser quem são, foram agredidas, apanharam e sobreviveram. Quero ver como carregam suas dores. Quero ver como andam pelo mundo, como caminham entre as gentes. Como olham para o mundo, o que pensam. Quero que nos digam por quais transformações passaram. Quero que venham a público falarem de seu enfrentamento cotidiano do medo, do rancor, do constrangimento, da vergonha, da raiva, da sensação de impotência. Todas essas coisas que ninguém quer ver, das quais ninguém quer saber.

A violência que sofremos nos chega sob tantas formas e por tanto tempo. Quando cada caso de agressão, de desrespeito, de morte, de ofensa de negação de direitos termina em apenas um apanhado de números. Quando anúncios espalhados em outdoors dizem que não deveríamos existir. Quando todos nos dizem quem podemos ou não amar. Quando por toda nossa infância, adolescência e juventude nos cobram a respeito de quem namoramos. Quando não podemos ser quem somos no trabalho. Quando temos de esconder quem somos na escola. Quando somos perseguidos na vizinhança, na família, no colégio, na faculdade. Quando procuram e propõem nossa cura. Quando não podemos beijar livremente quem amamos nas ruas. Quando andar de mãos dadas se torna uma temeridade. Quando mesmo um falar ao telefone precisa ser cercado de cuidados e disfarces. Quando nos apontam por nossas roupas, quando somos as personagens principais de piadas caricaturais, ofensivas, que ridicularizam e estigmatizam.

Em todos os modelos de vida e janelas para o mundo, seja na TV, em filmes, revistas ou qualquer outro meio, se não somos estigmatizados ou esmagados pela heteronormatividade, sofremos, no mínimo, omissão. Desde muito cedo, de lembranças imemoriais, nos ensinam que somos um erro, um pecado, uma doença, uma abominação, uma aberração, uma perversão ou quaisquer outros dos tantos nomes com os quais se esmeram em nos rotular. Por tudo isso, é surpreendente que resistamos tanto a tantas intimidações, sem nos tornarmos pessoas absolutamente inseguras, vulneráveis e de baixíssima auto-estima. É incrível superarmos tanta estigmatização e não aceitarmos viver segregados. É de uma força admirável que consigamos construir relações afetivas saudáveis, vidas profissionais de sucesso, carreiras sólidas, amizades duradouras e constituir família. É fantástico não enlouquecermos, não sucumbirmos à opressão que nos é imposta desde nossa mais tenra idade, sem data para término e por todos os dias de nossas vidas. É absolutamente admirável nosso enfrentamento diário e mais ainda por se dar entre risos, danças, amores, alegria e uma inabalável crença em um futuro melhor. Sim, termine de ler este texto, corra para o espelho, se olhe bem nos olhos, olhe bem mesmo, fixamente, e vá lá, você tem todo o direito de dizer: eu sou foda!

Siga @ivonepita no twitter e seja amiga no facebook.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

BH avança!


Núcleo para atendimento a vítimas de homofobia é inaugurado em BH


Visto no G1 e em homorrealidade

Um núcleo para atendimento à população LGBT foi inaugurado nesta quinta-feira (20) na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. No local, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais podem formalizar denúncias de homofobia.

O Núcleo de Atendimento e Cidadania (NAC) vai funcionar na sede da Divisão Especializada de Crimes contra a Mulher, Idoso e Portador de Deficiência, localizada na Rua Paracatu, 822, no bairro Barro Preto, entre 8h e 18h30.

De acordo com a Polícia Civil, a delegada titular da Divisão, Margaret de Freitas Assis Rocha, ressaltou a importância do núcleo para incentivar o respeito “sem qualquer distinção em relação à identidade de gênero e orientação sexual" e para coibir atos de violência.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Bolsonaro x Gays (by # MTV ALOKA)





Ele falou muito, causou na TV, no Congresso, e viu suas ideias pra lá de reacionárias ganharem uma repercussão jamais vista em todos os seus 20 anos de defesa da ordem e do progresso na politicagem nacional. Mas após tantas declarações homofóbicas e racistas, defesas enfáticas da ditadura militar, da tortura e da pena de morte, que fim teve o representante da direita brasileira que se tornou a voz da camada mais conservadora da sociedade?

Mas antes de ver o desfecho da polêmica, vale lembrar um pouco o que levantou a discussão que liga Bolsonaro à homofobia. As encrencas em torno de seu nome voltaram à tona após mais de 10 anos de hiato, desde que, em 2000, escreveu "quem procura osso é cachorro" na porta de seu escritório, em resposta aos familiares dos desaparecidos da ditadura militar. Mas já que o assunto do dia é gay no 'MTV, Aloka', voltemos à pauta com a lembrança de suas declarações no programa CQC, da rede Bandeirantes.

"E se você tivesse um filho gay?", questionou um entrevistado do quadro 'O Povo Quer Saber'. A resposta veio curta e grossa: "Isso nem passa pela minha cabeça, meus filhos tiveram uma boa educação, eu fui um pai presente, então não corro esse risco.", enfatizou, ligando qualquer tendência homossexual, única e exclusivamente, a uma má educação dos pais que não seguem a linha da moral e dos bons costumes.



Mas toda a indignação da sociedade progressista - ironias à parte no que fere o nome do PP, partido de Bolsonaro - estava apenas começando. A discussão ganhou força com o projeto de lei que planejava a distribuição do material 'Escola Sem Homofobia', apelidado de 'kit-gay' pelo deputado conservador. O projeto era parte do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (PNPCDH-LGBT), que reunia mais de 160 diretrizes para promover a cidadania e os direitos humanos da comunidade LGBT.

A iniciativa logo virou alvo das empreitadas descambadas do ex-capitão. Ele foi às escolas e casas do Rio de Janeiro para distribuir panfletos afirmando a intenção do MEC e de grupos LGBT’s em 'incentivar o homossexualismo' nas escolas. O material ligava barbaridades como a pedofilia à homossexualidade, dizendo que as crianças estavam prestes a virar presas fáceis para pedófilos e outras "atrocidades". "Querem, na escola, transformar seu filho de 6 a 8 anos em homossexual", diz o flyer produzido por Bolsonaro.

À época, Yone Lindgren, vice-presidente da ABGLT, rebateu as declarações do deputado presentes na cartilha: "Ele [Bolsonaro] está ensandecido, não respeita os mínimos direitos humanos. Ele não tem esse poder todo de tirar os nossos direitos, usando a religião que ele propaga para defender preconceitos. São mais de 30 anos de luta para conquistarmos a igualdade sexual", disse, em entrevista à MTV Brasil.

Essas e outras pérolas - algumas polêmicas da linha "O PSOL é um partido de 'pirocas' e 'viados" - renderam ao machão, além de toda a repercussão nacional, um processo disciplinar por decoro parlamentar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Mas como já se esperava, todo o alarde e as manifestações sobre o assunto não renderam nenhuma medida efetiva do Estado contra ele.


Mas pra quem pensa que o vilão atrapalhado das causas gays parou nisso, é aí que mora o engano. Em uma palestra sobre homoafetividade realizada no dia 29 de setembro para o curso de Direito da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, ele recebeu dos vereadores Leonardo Giordano (PT) e Renatinho (PSOL), duas moções de repúdio aprovadas pela Câmara Municipal da cidade, que havia reprovado suas declarações homofóbicas.
Na ocasião, Bolsonaro conseguiu fazer com que as vaias que já recebia crescessem ainda mais após rasgar os documentos ao meio. O 'progressista' acabou se sentindo acuado e viu o auge da reprovação pública quando foi deixar o local e acabou impedido de entrar no táxi por centenas de estudantes, que gritavam palavras de ordem e o chamavam por 'nazista', 'assassino' e 'torturador'. O desfecho da confusão se deu quando o deputado, ex-capitão do Exército, teve de deixar o local dentro de uma viatura da Polícia Militar.
KIT-GAY II
A última tentativa do deputado de causar no meio político e na promoção dos direitos humanos no Brasil aconteceu há pouco mais de um mês, quando começou a se armar contra a distribuição do tal 'kit-gay II', nome dado por ele mesmo a um material que seria distribuído nas escolas, "pior do que o primeiro", mas que, na verdade, ainda não passava de uma diretriz que seria apresentada na 2ª Conferência Nacional da Promoção da Cidadania e Direitos LGBT, e que ainda nem estava a caminho de votação no Congresso.
A reação do deputado saudosista da Ditadura Militar seria iniciar uma campanha de nome 'Faça Uma Fogueira na Sua Escola', que iria convocar os alunos a colocarem fogo no material anti-homofobia, que, por sua vez, nem estava em vias de aprovação oficial.
Em entrevista concedida ao Portal Band, Bolsonaro ironizou: “Vão botar no livro a temática da família homossexual. Eles vão botar no livro dois ‘barbudos’ e um menininho. Duas lésbicas e uma menininha. Vão, via livro didático, contra a heteronormatividade, eles vão tirar da cabeça da garotada que papai é aquele homem de calça e a mamãe é de saia”. Para ele, os alunos de escolas públicas, que “já não têm condições de pagar uma escola particular,  vão ter aula de como ser homossexual é bom”.
CARICATURA
Na opinião do deputado federal Jean Wyllys (PSOL - RJ), principal pedra no sapato de Bolsonaro, o ex-militar não representa a resistência conservadora: "ele virou uma caricatura de um sentimento, de uma postura que não contempla nem a direita da política nacional. Os próprios deputados que fazem parte da bancada evangélica, nas reuniões, fazem questão de se separar do Bolsonaro: 'A gente não concorda com o que ele faz', dizem".
Para ele, o grande obstáculo para os avanços das causas LGBT's atualmente é o sentimento que se exaltou nas últimas eleições, que acabou levando o debate sobre os direitos dos homossexuais e das mulheres para o lado moralista. "O verdadeiro inimigo dos direitos da população LGBT é esse movimento de direita que ganhou força no Brasil na ultima campanha eleitoral, a partir do segundo turno. Esse grupo é representado pela bancada cristã, por ruralistas, e até mesmo por alguns sindicalistas que são abertos às causas sociais mas são insensíveis às causas feministas e dos homossexuais", ressaltou, em entrevista à MTV Brasil.
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