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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

"A ostensiva onipresença da homofobia" Por Ivone Pita




"A ostensiva onipresença da homofobia" Por Ivone Pita


Por Ivone Pita para o POLÍTICATICA - GAY1 e no blog homorrealidade

A violência homofóbica está em todos os lugares. Em nossas próprias casas, em nossas famílias, na escola, no trabalho, na rua, pode estar em um ônibus, no cinema, no teatro, na praia ou em uma caminhada pelo calçadão. A violência homofóbica tem muitas formas e graus de expressão e não tem alvo certo. Como toda violência, torna-se descontrolada e, incontrolável, atinge qualquer um, em qualquer lugar e sob qualquer circunstância. A homofobia é um monstro cruel e de muitas faces - uma criatura implacável, de muitos braços, muitas pernas e muitas cabeças – vazias ou cheias de questões mal resolvidas, de ordem sexual, psicológica e social, perpassa todas as classes, todas as instâncias, tem muitas habilidades e acha até que pode ficar invisível, passar despercebida. Não, não fica. Ela passa despercebida apenas aos mais desavisados. Para nós, seus alvos preferidos, mas não exclusivos, ela é bem chamativa, feia e assustadora.

E, sim, temos medo. Muito medo. Não um medo infundado, paranóico, inventado ou apenas suposto. Nosso medo é muito concreto e nos chega através de palavras violentas, cerceamentos, sangue, dentes arrancados, carne rasgada, órgãos esmagados e ossos quebrados, quando não com a cara da morte. Mas depois tudo se transforma em estatística. E eu quero rostos, quero vozes, quero histórias. Eu quero ver a gente que só quer amar. Quero ver as pessoas que por ousarem ser quem são, foram agredidas, apanharam e sobreviveram. Quero ver como carregam suas dores. Quero ver como andam pelo mundo, como caminham entre as gentes. Como olham para o mundo, o que pensam. Quero que nos digam por quais transformações passaram. Quero que venham a público falarem de seu enfrentamento cotidiano do medo, do rancor, do constrangimento, da vergonha, da raiva, da sensação de impotência. Todas essas coisas que ninguém quer ver, das quais ninguém quer saber.

A violência que sofremos nos chega sob tantas formas e por tanto tempo. Quando cada caso de agressão, de desrespeito, de morte, de ofensa de negação de direitos termina em apenas um apanhado de números. Quando anúncios espalhados em outdoors dizem que não deveríamos existir. Quando todos nos dizem quem podemos ou não amar. Quando por toda nossa infância, adolescência e juventude nos cobram a respeito de quem namoramos. Quando não podemos ser quem somos no trabalho. Quando temos de esconder quem somos na escola. Quando somos perseguidos na vizinhança, na família, no colégio, na faculdade. Quando procuram e propõem nossa cura. Quando não podemos beijar livremente quem amamos nas ruas. Quando andar de mãos dadas se torna uma temeridade. Quando mesmo um falar ao telefone precisa ser cercado de cuidados e disfarces. Quando nos apontam por nossas roupas, quando somos as personagens principais de piadas caricaturais, ofensivas, que ridicularizam e estigmatizam.

Em todos os modelos de vida e janelas para o mundo, seja na TV, em filmes, revistas ou qualquer outro meio, se não somos estigmatizados ou esmagados pela heteronormatividade, sofremos, no mínimo, omissão. Desde muito cedo, de lembranças imemoriais, nos ensinam que somos um erro, um pecado, uma doença, uma abominação, uma aberração, uma perversão ou quaisquer outros dos tantos nomes com os quais se esmeram em nos rotular. Por tudo isso, é surpreendente que resistamos tanto a tantas intimidações, sem nos tornarmos pessoas absolutamente inseguras, vulneráveis e de baixíssima auto-estima. É incrível superarmos tanta estigmatização e não aceitarmos viver segregados. É de uma força admirável que consigamos construir relações afetivas saudáveis, vidas profissionais de sucesso, carreiras sólidas, amizades duradouras e constituir família. É fantástico não enlouquecermos, não sucumbirmos à opressão que nos é imposta desde nossa mais tenra idade, sem data para término e por todos os dias de nossas vidas. É absolutamente admirável nosso enfrentamento diário e mais ainda por se dar entre risos, danças, amores, alegria e uma inabalável crença em um futuro melhor. Sim, termine de ler este texto, corra para o espelho, se olhe bem nos olhos, olhe bem mesmo, fixamente, e vá lá, você tem todo o direito de dizer: eu sou foda!

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sábado, 29 de outubro de 2011

Partido Social Cristão discrimina gays até na propaganda partidária





Visto na Revista Lado A e no blog homorrealidade
“Homem + Mulher + Amor = Família”, afirma o comercial do Partido Social Cristão (PSC), o PSC, exibido já a várias semanas em horário nobre. As chamadas causaram desconforto em parte da comunidade gay que sentiu homofobia. Apesar de discreta, a afirmação do partido corresponde ao posicionamento de vários de seus representantes, muitos deles pastores de igrejas evangélicas. Usando o símbolo do peixe, simbolizando Cristo, o partido quer colocar os ensinamentos bíblicos acima da Constituição Federal, ignorando a separação do Estado e da Igreja, o chamado Estado Laico.

No site do PSC, apesar do discurso de um partido que coloca o ser humano em primeiro lugar, em maio deste ano, depois da decisão do Supremo Tribunal Federal em reconhecer a legalidade das uniões do mesmo sexo, o partido emitiu nota “repudiando” a decisão da Corte Constitucional. Diz a nota do PSC: “O Partido Social Cristão repudia a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que equipara as relações estáveis de heterossexuais e de homossexuais. A Corte Suprema do País adotou uma posição contrária aos anseios da maioria esmagadora da população brasileira”. Zequinha Marinho, do PSC do Pará, foi além: “Duas pessoas do mesmo sexo podem viver juntas o tempo que quiser, trabalhar e criar as mais diversas situações, mas nunca formarão uma família do ponto de vista da Constituição Brasileira, e também do ponto de vista da constituição divina, que é a Bíblia Sagrada.”

O partido defende em seu site a “Família Cristã”, que, segundo eles, baseados na Bíblia, não inclui casais do mesmo sexo. Com esse pensamento, eles apóiam a Marcha pela Família, que pede que a homofobia não se torne crime no país. Eles defendem ainda o direito de menosprezar e discriminar o homossexual abertamente, exatamente como fizeram em seu comercial, buscando respaldo na liberdade de expressão e liberdade religiosa. Quando a presidente Dilma anunciou a suspensão dos materiais didáticos para diminuir o preconceito nas escolas, o partido apoiou a decisão da presidenta e subjulgou o material – decisão, aliás, provocada após muitos dos políticos do PSC terem ataques e ameaçarem o governo. Onde há algum direito sendo reconhecido aos homossexuais, lá está o partido sob a alcunha de defensor da família e das palavras divinas. Outro local onde sempre é possível encontrar o PSC, é do lado que sairá vencedor das eleições. O partido cresce, com seu rebanho eleitoral que ignora escândalos de corrupção como o caso do pastor da Assembléia de Deus e deputado federal do Paraná, Takayama, que contratou funcionários fantasmas quando deputado estadual e pode pegar 12 anos de prisão, se condenado pelo STF.

Membros do partido afirmam que não são homofóbicos, mas que defendem o ponto de vista cristão. Sob o slogan bíblico “Deus fez Macho e Fêmea”, rejeitam o reconhecimento dos direitos dos homossexuais. Como usam a frase missão do partido “O ser humano em primeiro lugar”, logo, rejeitam também a humanidade dos homossexuais. Ora, em outro tempo, um partido político já pregou a superioridade divina. O tal partido excluiu outro grupo, utilizando um poder divino supostamente a eles consagrado e começaram retirando-lhes a dignidade, a humanidade, criticando suas atitudes e negando-lhes que pudessem circular livremente em público – era uma afronta a educação das crianças puras, argumentavam – pois poderiam contaminar a população majoritária e decente. Depois, os concentraram em bairros selecionados para que lá pudessem fazer as coisas abomináveis que tinham como costume. Depois, foram enviados a campos de concentração e mortos em câmaras de gás.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Espanha proíbe insultos homofóbicos no exército

 

Espanha proíbe insultos homofóbicos no exército

Por Marcio Claesen para o Parou Tudo e em homorrealidade

Um projeto de lei aprovado na sexta-feira 03 na Espanha torna contravenção penal quaisquer expressões ou manifestações de desprezo pela razão de nascimento, origem racial ou étnica, gênero, orientação sexual, ou qualquer outra condição ou circunstância pessoal ou social no exército do país.

Além das palavras, quaisquer atos que envolvam as discriminações citadas também serão punidos. Em manifestações orais, as punições variam de advertência a suspensão por dez dias. Já se o militar praticar alguns desses atos discriminatórios, ele pode ser suspenso por até 30 dias em regime de detenção e até ser expulso das Forças Armadas.
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