Laerte Coutinho
Lind@
Maravilhos@
No de Frente com Gabi!
e a Marilia Gabriela com perguntas
cada vez mais intimas!
^^
enjoy
s2
L.
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| Vanessa, travesti de Ji=Paraná |
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| Camille Gerin, Vítima de Homofobia |
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| Luiza Marilac, tema do 1º. Post do Canhotas |
Admiro as travestis e @s transexuais, pois além de me tirarem da minha zona de conforto, elas transgridem e transcendem qualquer rótulo que a sociedade, os acadêmicos, o poder público, ou quem quer que seja, tentem lhes impor. Estão acima de definições, são complexas, intensas, únicas e vivas demais para se sujeitaram a ficar presas nas molduras que tentam lhes colocar!
Este, resumidamente, é o mito do amor tal como o
filósofo grego Platão (428-348 ou 427-347 a.C.) o descreveu nos diálogos de O
banquete, reproduzindo o relato feito por Aristófanes, o mais famoso
comediógrafo grego (450-388 a.C.), durante um jantar e simpósio, encontro onde
se tomava vinho e se trocavam idéias. Estava presente, entre muitos outros convidados
ilustres, o filósofo Sócrates (470-399 a.C.) Deve ter sido uma noitada
daquelas, mas não se pode dizer que começou ali a preocupação da humanidade com
a androginia.
Numerosas cosmogonias, anteriores à civilização grega, explicaram o mundo a
partir de um ovo primordial, o símbolo da fertilidade.
“A diferença entre os gêneros diminuiu com a
entrada da mulher de classe média no mercado detrabalho,
principalmente em posições executivas, o que fica mais evidente nos Estados
Unidos”, observa a antropóloga Bela Feldman-Bianco, da Universidade de
Campinas, São Paulo. “O fenômeno nada tem a ver com a Biologia. Um número
crescente de mulheres reage contra a estereotipia dos papéis sexuais. Não
querem mais saber se ‘isso é coisa de homem ou de mulher’”.
Ela acredita que muito da androginia moderna veio do movimento feminista
americano, que identificava o feminino como conservador. E do gosto gay na
moda, na beleza, na decoração. Renato Mezan reconhece com clareza: falta ao homem tranqüilidade para executar atributos
do outro sexo sem sentir-se diminuído. “Assumir os
dois lados da sexualidade e da sensualidade ainda é uma questão de caso a caso.
De outro lado, negar as diferenças pode gerar um híbrido, nem isso nem aquilo.
Aí, há privação das qualidades de ambos,” expõe.
Empresária e especialista de moda, Costanza
Pascolato há anos analisa a influência da androginia no estilismo. “A moda contemporânea
não pára de brincar com as diferenças entre os gêneros. Com isso expressamos
nossas idéias mutantes sobre o que é ser homem ou mulher”,
escreveu em 1988, num artigo de jornal. Hoje ela acrescenta: “Um ligeiro toque
de ambigüidade aumenta o lado sensual das pessoas. O masculino e o feminino
exagerados são menos sexy. Há uma qualidade misteriosa em Marlene Dietrich e
Greta Garbo, que vem em parte da sugestão de virilidade lá no fundo de sua
personalidade”.
A psicóloga Leniza Castello Branco, de São Paulo,
completa e clarifica o raciocínio: “A mulher recupera seu lado masculino sem
tornar-se lésbica, e o homem seu lado feminino sem tornar-se gay”.
Para essa psicoterapeuta, a androginia traria um retorno do reprimido: o
corpo, o sexo, a
magia, o feminino. “Por causa do reprimido existe carnaval em todas as
culturas”, explica. “Permite-se a vivência do contrário, a inversão. O pobre se
veste de rico, o homem se veste de mulher,
alguns se fantasiam de animais. O carnaval é a festa de Dioniso, o deus pagão
que representava o campo, a fertilidade, o vinho. Ele nasceu da coxa de Zeus,
um andrógino, pois gestou um filho.”