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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Laerte Coutinho de Frente com Gabi

Laerte Coutinho
Lind@
Maravilhos@

No de Frente com Gabi!
e a Marilia Gabriela com perguntas 
cada vez mais intimas!
^^

enjoy
s2
L.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Monica Waldvogel & Laete

e voce???

se constrangeria com uma travesti no banheiro???
se sentiria em uma "saia justa"??? teria medo dela te atacar??? mesmo uma senhora com idade pra ser sua avó??? PORFAVOR EM


ah mas é o Laerte... entao tudo bem... menos mal...

PORRA

serio geint...
precisa de tudo isso?
todo esse preconceito???
socorroooo!!!

quando voce pensa q as coisas estao melhorando surge uma dessas...

e Laerte é Lind@!!!

segue um texto bem legal sobre o acontecido.

beijos
L.



Mônica Waldvogel e sua 'saia justa no banheiro'

texto de Carlos Alexandre Neves Lima no blog Direitos Fundamentais LGBT

MÔNICA WALDVOGEL escreveu um artigo que foi publicado no Caderno Ela (O Globo) sobre a “Saia justa no banheiro” referindo-se ao recente caso da utilização do banheiro feminino pelo cartunista Laerte, que conforme é notoriamente sabido aproximadamente quatro anos se veste publicamente com roupas femininas.

No meu ponto de vista, logo no início do texto já há sinal daquilo que vem. Segundo a jornalista o assunto foi reportado da seguinte forma: “Esquecemos de falar da confusão que o Laerte arrumou ao usar o banheiro feminino num restaurante!”

Portanto, desde logo, o debate começou com a premissa que a confusão foi arrumada pelo Laerte. Ora, o responsável pela “confusão” não poderia ter sido o dono do bar ou a cliente que reclamou do Laerte?

Em seguida, quando Monica Waldvogel responde ao Dan Stulbach sobre sua opinião acerca da utilização do banheiro pelo cartunista mais uma vez ela deixou escapar seu pré-julgamento: “Precisa perguntar para as mulheres se elas concordam com isso”.

Puro sexismo.

Dan Stulbach imediatemente retrucou: “E para os homens também”.

Ambos deixaram de lembrar que a vontade de Laerte também teria que ser considerada, afinal é ele, sem desconsiderar os demais, um dos principais interessados. Porque esqueceram?!

Laerte possui orientação sexual bissexual e se auto designa como crossdresser. Até hoje entendi como crossdresser alguém que mantém sua vida social masculina, mas se veste eventualmente com roupas femininas para fins de satisfação erotico-fetichista. Laerte permanece 24 horas travestido com roupas femininas, até mesmo para dormir utiliza camisola, tendo doado todas as roupas masculinas, se depila e diz que adota o nome social de Sonia em seu circulo. Logo, se não soubesse acerca da sua manifestação pessoal de ser um crossdresser, acreditaria se tratar de uma travesti com orientação bissexual. Não quero entrar nestas questões, o que é ou diz ser pouco importa, pois estaria fazendo o mesmo que os demais, buscando rótulos para tentar colocá-lo numa prateleira que não foi escolhida por ele.

O ponto é o banheiro e como as pessoas tratam esta questão quando se trata de uma pessoa em situação transgênera.

Para Monica Waldvogel, se ela encontrasse o Laerte no banheiro do bar, não iria reclamar com o gerente, mas acrescenta: “Mas sou sincera: é porque se trata de Laerte e de sua Sônia, só por isso. Fosse um completo estranho, eu ficaria um tanto constrangida.”

Sem dúvida, cada um tem todo direito de sentir como quiser. Neste sentido, a jornalista também tem todo direito de ficar um tanto constrangida em saber que no cubículo reservado e fechado ao lado está uma travesti.


Me lembrando de um filme no qual uma negra era impedida de usar o banheiro da patroa branca, fico feliz em constatar que no texto ela não diz que ficaria constrangida em compartilhar o banheiro uma negra, deficiente ou idosa.


Cabe a cada um trabalhar os seus constrangimentos e saber o que fazer com eles.


Mas porque ela, que escreve uma matéria num jornal para todos e todas, só faz menção ao seu constrangimento e eventualmente das demais mulheres? Porque ela inicialmente se esqueceu dos homens? Pior, muitíssimo mais grave, o que a leva a esquecer da parte mais fragilizada nesta história toda, que é exatamente a pessoa travestida?


Será que o convite dela a reflexão sobre o tema não teria obrigatoriamente que lembrar que a travesti é a única que não possui um direito definido e claro como os demais cidadãos, sendo a única sem as garantias previstas pelas normas sociais heteronormativas impostas? Será que a saia justa não poderia ser da travesti que se sentiria muito constrangida em utilizar um banheiro que não fosse aquele que se acomodasse a sua identidade ?


Em pleno século XXI uma inteligente jornalista conduzir publicamente a questão à genitália do indivíduo, e sob ponto de vista de seu constrangimento pessoal, me parece raso e até leviano.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Um beijo pras Trans!!! ;*

copiado do blog Ideias Canhotas


        Recentemente recebi uma imagem que circulava na rede separando os gays em "bichinhas e homossexuais"(é esta imagem que abre o post), abaixo da imagem li inúmeros comentários e revi algumas coisas que sempre me chamaram a atenção: a primeira, a necessidade de se enquadrar e limitar as coisas ou os comportamentos; e a segunda, reflexo da primeira, é a forma como as pessoas falam de si mesmas quando se referem à sua orientação sexual.

        Quem nunca ouviu uma pessoa dizendo que é gay, mas é supernormal, não é efeminado, não tem trejeitos de gays, é super discreto, é tão normal nem sequer parece ser gay? Indo mais além, quem nunca ouviu algumas pessoas dizendo que não são e não gostam de efeminados, dos viadinhos, das pintosas, de gente que fala fino demais ou que tem trejeitos, de pessoas espalhafatosas que chamam a atenção pra si?
Já fiz muito isso, até já contei por aqui que apontava meu dedinho para tudo quanto é lado e distribuía muitos julgamentos.

        Não sei o que passava na minha cabeça, aliás, sei sim! Eu acreditava que ser LGBT e ser digno era duas coisas que se opunham de tal forma que era impossível viver dignamente não sendo heterossexual.

Vanessa, travesti de Ji=Paraná
        Não parecer LGBT, era mais que um mecanismo de defesa, era uma qualidade e uma condição fundamental para que eu fosse respeitado. Qualidade esta que devia ser preservada, reforçada e exaltada.
       Vivia me policiando para não ter nenhum tipo de comportamento que pudesse ser identificado como gay, que desse a entender que eu era diferente, que evidenciasse minha verdadeira orientação. O futebol sempre me entregou!

        Como não consegui negar o que sou, durante um tempo me tornei no dizer de uma amiga, um gay de respeito. No entender dela, um gay de respeito é um gay que se nega, que socialmente se passa por aquilo que não é, que nega sua sexualidade, seus desejos, enfim, um gay que fica com meio corpo fora do armário, e na primeira complicação volta correndo para dentro dele. E hoje, observando a maneira como as pessoas se descrevem, vejo que não era só eu que pensava desta maneira... Muita gente pensa assim!

        Há uma cultura da invisibilidade, uma apologia a negação de si próprio, uma recomendação sutil de que devemos levar uma vida “contida”, isto é, sejamos gays e lésbicas, mas vivamos sob uma roupagem heteronormativa, nos tornemos palatáveis para turma da moral e dos bons costumes, sem chocar ou levantar bandeiras.

        E olhando para essas pessoas que vivem angustiadas e presas em convenções sociais é que cresce meu respeito e minha admiração pelas travestis e pel@s transexuais.

        Não tenho dúvidas de que são as travestis e transexuais as mais agredidas, as mais atacadas e as mais incompreendidas. São as que mais têm direitos negados, as que mais são discriminadas. Inclusive pela população LGBT.

Camille Gerin, Vítima de Homofobia

        São as travestis que mais encontram dificuldades de ingresso no mercado de trabalho, de acesso aos serviços públicos. Sofrem com a falta de atendimento e tratamento adequado, com a carência de políticas públicas que atendam suas especificidades. São elas que são as mais apontadas na rua, na escola, alijadas do meio familiar, invisíveis para o poder público. Sob elas ainda pesa o estigma da marginalidade. E a elas muitas vezes, é negado um dos direitos mais fundamentais do ser humano: o direito a um nome!

        Durante muito tempo travestilidade e transexualidade, para mim, eram sinônimos de sujeira, imoralidade e prostituição. Por anos acreditei no estereótipo de travesti que me passaram: barraqueiras, agressivas, desbocadas e ainda usavam gilete no dente. Figuras ameaçadoras, que resolviam tudo na base do tapa.

        Me incomodava estar num mesmo ambiente ou lhes dirigir a palavra. Pensava que se existia um grupo que devia ser discriminado, este era o das travestis, já que elas faziam por merecer. A regra da discrição servia para tod@s e se tem um segmento que chuta para longe essa regra são as travestis. Mereciam as pedradas e as dificuldades que a vida lhes impunha por “não saberem se comportar decentemente”. Sinceramente ainda tenho certa dificuldade de compreendê-las, mas passei a olhá-las de outra forma.

Luiza Marilac, tema do 1º.
Post do Canhotas
        Todas as travestis que conheci são pessoas imponentes, valentes, combativas e assertivas, mesmo as que não são militantes. Tem consciência da discriminação que sofrem, dos preconceitos, das agressões a que estão sujeitas, e de que a vida não é fácil! Reagem a isso, nem sempre da melhor maneira, mas  enfrentam tudo de cabeça erguida, argumentam e dão combate.
        Com o tempo percebi que o que me incomodava nas travestis não era a falta de discrição e sim o fato de que as travestis me tiravam do meu lugar confortável de gay respeitável. Eram elas a expressão mais clara de que era possível viver como se quer, não importando o tamanho das dificuldades, dos perrengues ou do que os outros iriam pensar.

        Elas atestavam a minha covardia, a minha falta de coragem e os meus preconceitos. Uma demonstração clara de que eu ainda tinha muitas amarras para soltar e correntes para me livrar.

        Aí num exercício de humanidade levei meu olhar para além do que meus olhos estavam acostumados a enxergar, para além do que meus preconceitos me diziam e vi nas travestis e transexuais pessoas tão frágeis como todo e qualquer ser humano, cheias de sonhos, planos, vontades e, acima de tudo, cheias de coragem pra enfrentar os desafios cotidianos. Mas o melhor foi percebê-las cheias de vida, de alegria, de graça e delicadeza, mesmo com todas as dificuldades que a vida lhes impõe!

        São humanas, capazes de grandes gestos de solidariedade, de demonstração de carinho e cuidado com o próximo, e por incrível que pareça, tem gente que insiste em ignorá-las, como se fosse possível!

         Admiro as travestis e @s transexuais, pois além de me tirarem da minha zona de conforto, elas transgridem e transcendem qualquer rótulo que a sociedade, os acadêmicos, o poder público, ou quem quer que seja, tentem lhes impor. Estão acima de definições, são complexas, intensas, únicas e vivas demais para se sujeitaram a ficar presas nas molduras que tentam lhes colocar!

        Vivem a me surpreender e ter a oportunidade de conviver com elas é receber uma lição nova a cada dia. Lição de vida, de solidariedade, de luta!

        À elas a minha admiração e o meu profundo respeito. 
        E um beijo para quem tem a coragem de ser travesti!



Texto original no blog Ideias Canhotas

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Androginia cultural

 


1993
geint... 
época de Ayrton Senna campeão
e de Roberta Close causando...

e revista superinteressante 
falando de androginia
OMG

e hj eh a coisa mais comum:

justin bieber = maria gadu
serginho = paris hilton

e por ai vai...

segue a reportagem
bêj
s2
L.

ps. nas fotos: Andrej Pejic


Androgenia cultural: O sexos se confundem

 

Terninhos, tênis, mocassinos. Nas mulheres, cabelos curtinhos; nos homens, longos cacheados. De repente, parece que a androginia tomou conta do mundo.



Seres esféricos, fortes, vigorosos, tentam galgar o Olimpo, a montanha sagrada onde moram os deuses gregos. Querem o poder. Possuem os dois sexos ao mesmo tempo, quatro mãos, quatro pernas e duas faces idênticas, opostas. Diante do perigo, o chefe de todos os deuses, Zeus, decide cortar ao meio os andróginos (do grego andrós, aquele que fecunda, o macho, o homem viril; e guynaikós, mulher, fêmea). “Sede humildes”, podemos supor que trovejou o grande deus, arremetendo os raios que apavoraram os tempos anteriores à descoberta do fogo. Ao enfraquecer o homem e a mulher, assim criados, Zeus condenou cada metade a buscar a outra, o desejo extremo de reunir-se e curar a angustiada e ferida natu-reza humana.


Este, resumidamente, é o mito do amor tal como o filósofo grego Platão (428-348 ou 427-347 a.C.) o descreveu nos diálogos de O banquete, reproduzindo o relato feito por Aristófanes, o mais famoso comediógrafo grego (450-388 a.C.), durante um jantar e simpósio, encontro onde se tomava vinho e se trocavam idéias. Estava presente, entre muitos outros convidados ilustres, o filósofo Sócrates (470-399 a.C.) Deve ter sido uma noitada daquelas, mas não se pode dizer que começou ali a preocupação da humanidade com a androginia. Numerosas cosmogonias, anteriores à civilização grega, explicaram o mundo a partir de um ovo primordial, o símbolo da fertilidade.

Para a Biologia, andrógino é o ser que possui os dois sexos ao mesmo tempo e é capaz de reproduzir-se sozinho (não no caso dos humanos). O mesmo que hermafrodita. Mas para os psicólogos, médicos e até estilistas, a androginia é sobretudo um fenômeno cultural, nada tem a ver com a bissexualidade ou ohomossexualismo. “O que está em jogo é o papel social desempenhado pelo indivíduo. A pessoa andrógina não precisa ter, necessariamente, comportamento sexual ambíguo”, explica o sexólogo Oswaldo Rodrigues Júnior, de São Paulo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Sexualidade. Ele dá exemplos de incorporação de papéis sociais do sexo oposto: o homem que não tem vergonha de chorar e expor sentimentos, cuida dos filhos, participa das tarefas domésticas, ou a mulher que impõe opiniões, assume o sustento da casa, exerce profissões consideradas “masculinas”.

O psicanalista Renato Mezan, da Pontifícia Universidade de São Paulo, expõe com clareza: “São fatores sociais que aos poucos esfumaçam as diferenças entre os gêneros e embaralham a consciência que homens e mulheres tinham de sua identidade e função social. Por isso é impossível explicar aandroginia apenas em termos psicológicos. Ela não é uma opção sexual e está no plano do consciente”. Entre as vanguardas culturais, é verdade, sempre existiram andróginos — artistas, burgueses contestatórios, suf-fragettes (militantes femininas que exigiam o direito de votar). Mas com certeza nunca a confusão foi tão grande como agora.

“A diferença entre os gêneros diminuiu com a entrada da mulher de classe média no mercado detrabalho, principalmente em posições executivas, o que fica mais evidente nos Estados Unidos”, observa a antropóloga Bela Feldman-Bianco, da Universidade de Campinas, São Paulo. “O fenômeno nada tem a ver com a Biologia. Um número crescente de mulheres reage contra a estereotipia dos papéis sexuais. Não querem mais saber se ‘isso é coisa de homem ou de mulher’”. Ela acredita que muito da androginia moderna veio do movimento feminista americano, que identificava o feminino como conservador. E do gosto gay na moda, na beleza, na decoração. Renato Mezan reconhece com clareza: falta ao homem tranqüilidade para executar atributos do outro sexo sem sentir-se diminuído. “Assumir os dois lados da sexualidade e da sensualidade ainda é uma questão de caso a caso. De outro lado, negar as diferenças pode gerar um híbrido, nem isso nem aquilo. Aí, há privação das qualidades de ambos,” expõe.

O dilema provoca ásperas discussões. Radical, Camille Paglia, professora de Literatura da Universidade de Arte da Filadélfia, nos Estados Unidos, sustenta no livro Personas sexuais que a androginia não passa de arma das feministas contra o princípio masculino: “Serve para anular os homens, significa que eles devem ser como as mulheres, e as mulheres podem ser como quiserem”. Ela acredita, em todo caso, que o culto do masculino será preservado graças aos gays — o que não deixa de ser, também, uma inversão. Menos contundente, o estilista e cabeleireiro Diaullas de Ná, de São Paulo, oferece sua opinião: “A androginia é um jogo lúdico, em que o homem projeta seu lado masculino na mulher, e amulher projeta seu lado feminino no homem. Um jogo que globaliza, traça um círculo de 360 graus em torno do outro, totalmente diverso do homossexual, autocentrado, ou do bissexual que separa com rigidez o masculino do feminino”.

Empresária e especialista de moda, Costanza Pascolato há anos analisa a influência da androginia no estilismo. “A moda contemporânea não pára de brincar com as diferenças entre os gêneros. Com isso expressamos nossas idéias mutantes sobre o que é ser homem ou mulher”, escreveu em 1988, num artigo de jornal. Hoje ela acrescenta: “Um ligeiro toque de ambigüidade aumenta o lado sensual das pessoas. O masculino e o feminino exagerados são menos sexy. Há uma qualidade misteriosa em Marlene Dietrich e Greta Garbo, que vem em parte da sugestão de virilidade lá no fundo de sua personalidade”.

O problema está no risco de perder-se a nitidez dos gêneros pois, como analisa Renato Mezan, as pessoas nesse caso aderem a modas em busca de orientação: “Em geral, as tendências são mais rigorosas do que as anteriores, gerando um espírito de gangue”. É o temor da antropóloga Cynthia Sarti, da Universidade de São Paulo: “Acho que existe alguma coisa perversa na androginia, pois faz supor algo que não é: impõe uma imagem sem sugerir nenhum novo masculino ou feminino. Nega as diferenças. Sinto a idéia como totalitária, e nada mais nocivo à humanidade do que posturas antidemocráticas”.

Pode ser, mas convém lembrar que a intenção, por trás dos modismos em geral, e da androginia em particular agora, depende sempre do contexto social. Por exemplo, na Alemanha pré-nazista dos anos 20, os cabelos curtos usados pelas mulheres eram uma contestação ao ideal feminino pregado pelos nazistas, que pensavam nas mulheres como robustas valquírias de longos cabelos loiros, engomadas nas suas roupagens regionais, vivendo em regime de dedicação exclusiva aos três Ks: Kinder, Küche, Kirche (crianças, cozinha, igreja). Vestir-se como homem, pensar e agir como um marxista era ser mesmo muito do contra.

É possível que estejamos convivendo, atualmente, com uma acentuada tendência à alteridade — conceito desenvolvido pelo psicoterapeuta Carlos Byington, de São Paulo, um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica.“O dinamismo da alteridade consiste na interação igualitária das polaridades”, escreveu em obscuro dialeto profissional no livro Dimensões simbólicas da personalidade.

A psicóloga Leniza Castello Branco, de São Paulo, completa e clarifica o raciocínio: “A mulher recupera seu lado masculino sem tornar-se lésbica, e o homem seu lado feminino sem tornar-se gay”. Para essa psicoterapeuta, a androginia traria um retorno do reprimido: o corpo, o sexo, a magia, o feminino. “Por causa do reprimido existe carnaval em todas as culturas”, explica. “Permite-se a vivência do contrário, a inversão. O pobre se veste de rico, o homem se veste de mulher, alguns se fantasiam de animais. O carnaval é a festa de Dioniso, o deus pagão que representava o campo, a fertilidade, o vinho. Ele nasceu da coxa de Zeus, um andrógino, pois gestou um filho.”

Os primeiros andróginos explícitos da atual voga no Brasil começaram a aparecer na década de 70, inspirados em cantores pop americanos e, logo em seguida, brasileiros. Naquela época não se viam, como hoje, homens e mulheres anônimos vestidos e penteados com tal ambigüidade — terninhos, tênis, mocassinos, cabelos quase recos —, capazes de provocar tanta confusão que fica impossível distinguir uns das outras. “Em caso de dúvida é mulher”, ensinam os moradores de San Francisco, talvez os americanos mais acostumados a conviver com a androginia em voga em todo o mundo. Aliás, é da psicoterapeuta americana June Singer, autora do livro Androginia — rumo a uma nova teoria da sexualidade, a comparação do andrógino com o ovo fecundado. Ela considera que, por reunir características psicológicas abrangentes, a androginia é a chave do futuro. Talvez seja um exagero, mas, para que dela fique alguma marca indelével na história humana, será preciso que assuma resolutamente o que é específico de cada gênero. Sem prejuízo da divisão de responsabilidades sociais e sem a soberba dos seres esféricos que pretenderam invadir o Olimpo. Haverá mais chances de sucesso na vida afetiva e profissional e nenhuma necessidade de invejar os deuses.



Para saber mais:

Um suposto gene gay
(SUPER número 3, ano 7)
O que os genes podem explicar
(SUPER número 12, ano 7)


Para todos os gostos e todas as neuroses

Eis um roteiro sucinto para você atravessar com segurança essa balbúrdia sexual moderna.

Heterossexual — O que sente atração sexual por pessoas do sexo oposto.
Homossexual — O que se sente atraído por pessoas do mesmo sexo. Uma perene discussão entre os cientistas ainda não estabeleceu se sua origem é biológica ou cultural. Em todo caso, concorda-se que tem motivos inconscientes, mas não patológicos.
Bissexual — O que sente atração pelos dois sexos. O psicanalista Renato Mezan faz uma descrição desse estado: “Aparece um desejo desesperado de fazer as duas coisas. Não é tranqüilo e ele não goza. Parece alguém que está querendo pular a própria sombra”. A alta incidência de Aids em mulheres casadas, mono-gâmicas, sem contato com drogas injetáveis, pode ser atribuída a maridos bissexuais.
Travesti — Homossexual que usa e exibe roupas e atributos do sexo oposto. Ele nega o seu gênero e torna a questão sexual o centro de sua vida. Alguns desejam tão obsessivamente pertencer ao sexooposto que se submetem a cirurgias para retirar os órgãos masculinos.
Hermafrodita — Possui órgãos reprodutores masculinos e femininos, além de características sexuais secundárias, como pêlos, voz grossa, seios. É possível mudar, com ajuda da cirurgia, de um sexo para o outro. O nome vem de Hermafrodito, filho mitológico dos deuses Hermes e Afrodite. Etimologicamente, o nome significa “o que participa de Hermes e de Afrodite”, portanto, dotado de ambos os sexos. Assim, a mitologia já o distingue do andrógino, pois ele não pode ser dividido pelo facão de Zeus e é impotente para o sexo e a fecundação. O androginismo ex-pressa a fecundidade dos dois gê-neros; ohermafroditismo simboliza a esterilidade.

A porção feminina, talvez melhor

A androginia parece seduzir principalmente os jovens e por isso a música popular moderna a explora muito. Astros como o inglês David Bowie, o americano Michael Jackson, a jamaicana Grace Jones, o americano Prince, a irlandesa Sinéad O’Connor ou o inglês Boy George, entre numerosos outros, são exemplos expressivos. O poeta e crítico literário Affonso Romano de Sant’Anna, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro, julga o cantor e compositor Ney Matogrosso e seu grupo Secos & Molhados, da década de 70, precursores da onda musical andrógina no Brasil. “Matogrosso recuperou a tradição do cantor contralto medieval”, explica Sant’Anna.

O antropólogo Luiz Mott, professor da Universidade Federal da Bahia e presidente do Grupo Gay da Bahia, lembra que a música contemporânea expõe de maneira evidente sua face andrógina. “Muitos artistas são homossexuais e vivenciam certa androginia psicológica. Como são ricos e poderosos, exteriorizam livremente a condição por meio de roupas, adereços e penteados.” Mas nem sempre o compositor é homossexual. O baiano Gilberto Gil cantou a androginia em Superhomem - a canção, de 1979: “Um dia/vivi a ilusão/de que ser homem bastaria/...que nada/minha porção mulher/...é a porção melhor/...é a que me faz viver”. Ou Pepeu Gomes, heterossexual, na música Masculino/feminino, de 1984: “Ser um homem feminino/ não fere o meu lado masculino”.

Sucesso na televisão e no cinema

Buba, personificada pela atriz Maria Luíza de Mendonça, personagem da novela Renascer, da TV Globo, pretende ser hermafrodita, mas os psicólogos garantem que para bem personificar tal condição ela deveria ter pêlos e voz grossa. Há quem a imagine andrógina, mas o autor da novela, Benedito Ruy Barbosa, informa que quis caracterizá-la emocionalmente feminina. O tema da androginia foi mais corretamente explorado no cinema. O ensaísta e crítico Ismail Xavier, professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, lembra dois filmes marcantes: Morte em Veneza, do italiano Luchino Visconti, baseado numa novela do escritor alemão Thomas Mann. “O adolescente por quem o velho compositor (o ator inglês Dirk Bogarde) se apaixona, personifica o andrógino enquanto figura de contemplação estética ambígua”, analisa Xavier. O outro filme é Teorema, do também italiano Pier Paolo Pasolini. Uma espécie de anjo exterminador (o ator Terence Stamp) seduz todos os membros de uma família burguesa conservadora. Um dos marcos da literatura moderna, Orlando, da instigante escritora inglesa Virginia Woolf, a longa narração da vida de uma personagem orahomem, ora mulher, foi levado ao cinema pela diretora inglesa Sally Potter. Convém não perder, pois qualquer que seja o resultado, o filme será mais fácil de ver do que o livro de ler.

Esses rapazes tão lindos

O inconsciente humano sempre conviveu com uma certa confusão entre os dois gêneros. Os escultores gregos clássicos fundiam feminino e masculino de tal forma que, não raro, os restauradores modernos equivocaram-se reconstruindo efebos (rapazes adolescentes) como se fossem moças. Nos antigos baixo-relevos da Índia, da mesma forma, quase não há separação por sexo; afinal, divindades precisam ser completas, não teria sentido empobrecê-las fazendo-as masculinas ou femininas. Os pintores também criaram mulheres e homens com jeito andrógino. “Todas as figuras masculinas do clássico italiano Leonardo Da Vinci (1452-1519) são femininas e até mereceram um estudo de Freud”, lembra a pintora e professora de desenho Ely Bueno, de São Paulo. “Os homens e mulheres de Marc Chagall (1877-1985) apresentam ambigüidades de gênero. O contemporâneo americano Andy Warhol (1927-1987) fez uma Marilyn Monroe que é ele próprio. Hoje, o ótimo cuiabano Humberto Spíndola faz figuras andróginas. São apenas alguns poucos exemplos”, garante a pintora.


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Lea T. na Marilia Gabriela

Segue a entrevista da Lea T. pela Marilia Gabriela. 
A entrevista foi ao ar dia 2/10/2011
Lea é linda! Guerreira! Sobrevivente! 

 Hope you like it. 

beijos
s2 
L. 


 Parte 1 Parte 2 Parte 3 Parte 4

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Provocações entrevista Laerte


Provocações (TV Cultura) entrevista o cartunista 

Laerte Coutinho 


Travesti, cross-dressing e transgeneridade.
A entrevista data no youtube de 19/04/2011
amo voce meu lindo!!!

E bora quebrar essa dualidade de genero!!!
BORA transgredir os padrões de genero!!!

besos
s2
L.


Parte 1


Parte 2


Parte 3


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