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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Jean Wyllys se pronuncia sobre a retirada de vídeo da campanha de prevenção à AIDS/DSTs pelo MS

Visto no Site do Deputado Jean Wyllys  e no blog homorrealidade

No final do ano legislativo de 2011, ao receber notícia de que os recursos destinados à campanha do Ministério da Saúde para o Dia Mundial de Luta Contra a Aids teriam sido significativamente reduzidos, imediatamente contatei o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, solicitando esclarecimentos sobre as informações veiculadas na grande mídia, acompanhadas do detalhamento do orçamento do Ministério para políticas de prevenção às DST/Aids.

Apesar de meus esforços para conseguir uma audiência com o ministro, através de ofícios enviados ao seu gabinete, bem como mensagens trocadas de nossos perfis pessoais no Twitter, não fui recebido para ouvir os esclarecimentos solicitados. O ministro apenas destacou um assessor para falar comigo por telefone.

Não bastasse estas preocupantes informações – que foram  negadas através de ligação feita pelo assessor do Ministério da Saúde – o ministro Padilha determinou hoje, ao Programa de  DSTS/AIDS que retirasse, da página do Ministério na internet, o vídeo institucional com imagens de dois rapazes trocando carícias em uma boate. O filme, que seria exibido com parte da campanha de Carnaval de prevenção à AIDS em TV e na internet, agora passará a ser exibido apenas em espaços fechados frequentados por homossexuais, segundo denúncia feita pela imprensa.

Ora, se verdadeira a denúncia (e eu aguardo explicações por parte do Ministro; informações que solicitarei mais uma vez, por meio de requerimento de informação, previsto na Constituição Federal), trata-se de um nocivo equívoco, já que o próprio Ministério divulgou dados epidemiológicos apontando aumento da incidência de DSTs/AIDS em jovens homossexuais masculinos. O vídeo não deve estar restrito aos guetos gays, como propôs o Ministério, afinal, nós, LGBTs, não estamos restritos a guetos. Queira o ministro Padilha ou não, nós somos parte da sociedade: frequentamos as padarias, os postos de saúde, as academias, os bancos e os mesmos restaurantes em que os cidadãos e cidadãs heterossexuais freqüentam. E assistimos à mesma tevê aberta!

Não serei cúmplice dessa hipocrisia e homofobia mascarada. Cumprindo meu papel não somente de cidadão brasileiro homossexual e deputado federal que defende as causas, entre outras, de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (LGBT), mas, principalmente de fiscal do executivo, vou solicitar informações ao Ministério sobre a denúncia e expedir requerimento de informação sobre a Campanha de DST/AIDS ao ministro para saber a razão da suspensão de peça tão crucial para a saúde da juventude LGBT, justamente por ser ela o grupo vítima preferencial da epidemia de AIDS no momento. E o ministro terá de me responder, por ser sua obrigação prestar esclarecimento ao Legislativo sobre as políticas conduzidas pelo Executivo.

Deputado Federal Jean Wyllys 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Gisele e o Sexismo


Gisele Bündchen e o sexismo



Em campanha publicitária, a modelo ensina a seduzir o marido após bater o carro ou estourar o limite do cartão de crédito. Por Clara Roman. Foto: Reprodução
Menos de uma semana depois de o Brasil enviar a primeira mulher para abrir uma Assembleia Geral das Nações Unidas, a marca de lingeries Hope reforçou um outro tipo de imagem da mulher brasileira em sua nova campanha publicitária. Quem protagoniza a peça é a modelo Gisele Bündchen, que exibe o corpo impecável com as roupas da empresa.
“Você é brasileira. Use seu charme” é a mensagem-chave da publicidade. No comercial, a top ensina o modo “certo” de assumir pequenos deslizes para seu marido e traduz, em poucos minutos, os estereótipos que há anos grupos feministas tentam derrubar.
Gisele tem a difícil missão de contar ao cônjuge alguns de seus pecados, como estourar o limite do cartão de crédito e bater o carro do maridão. Para se safar da fúria do homem, ela precisa usar seus dotes “genuinamente brasileiros”.  O que consiste em exibir o corpo escultural de lingerie e dizer, com um leve gingado, as atrocidades cometidas contra o provedor da casa.
E o modo 'errado'. Foto: Reprodução de vídeo
Não bastasse o estereótipo da mulher que, sem trabalho, acaba por descontrolar-se nas compras e gastar todo o dinheiro do casal – com o retoque do mito ‘Mulher no volante, perigo constante’ – a propaganda ainda reforça o ideário destinado à brasileira, a da sedutora inverterada.
Ao mesmo tempo em que consagra o modelo da mulher-objeto, a propaganda desqualifica aquela que não carrega o modo sedutor de ser. Uma conversa sem performances de sedução – e com roupas – é tida como “errada”.
Não é um caso isolado. A estereotipação de mulheres na indústria da propaganda é corriqueira e altamente discriminatória. No mundo dos publicitários, aparentemente, o sexo feminino é aquele destinado às tarefas domésticas (em comerciais de produto de limpeza) ou à satisfação masculina nas propagandas de cerveja, em que o produto é associado com o companheirismo entre amigos, fim de expediente e atrizes exuberantes.
Ao apelar para a identificação entre a espectadora e a modelo, o comercial constrange a brasileira que busca se libertar justamente da imposição do tal “charme brasileiro”.
Existe um outro movimento ao retratar o universo feminino dentro da publicidade, conectado à realidade da mulher contemporânea, na inserção no mercado de trabalho e no compartilhamento da renda do lar.  Ainda muito discretamente, no entanto, a publicidade sequer se aproxima de dar conta do complexo cenário em que se enquadra  o feminino no Brasil.
Por enquanto, a propaganda ainda se encontra a anos-luz das conquistas do movimento feminista, da emancipação feminina e da construção de um ideário de igualdade entre os sexos.


SEGUE OS VIDEOS



Lesson 1 Bati o seu carro
 Lesson 2 Estorei o seu cartão de credito 

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