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sábado, 11 de fevereiro de 2012

"Sobre a censura de vídeo gay no Ministério da Saúde, o equívoco foi do Governo" Por Vitor Angelo


Por Vítor Angelo no Blogay e no blog homorrealidade

Já vimos essas cenas em muitas novelas da Globo, casais gays se abraçando, sem beijo – é claro- , como nesse vídeo. Nada de novo no front.

O que pega é a desculpa do Ministério da Saúde e de seu ministro Alexandre Padilha – o mesmo que teve enfrentamento em janeiro desse ano com as feministas que eram contra o cadastro das grávidas e Dilma (só depois de muita pressão e porque iria ficar bem mal para sua imagem de defensora das mulheres) voltou atrás e vetou -  que decidiram retirar o vídeo no site do ministério e da publicidade em TV aberta.

Segundo a Folha, o ministério acredita que a postagem do vídeo no portal foi “um equívoco”. Mas o grande equívoco é assistirmos a mais uma atitude hipócrita de um Governo em relação aos homossexuais desse país. Mais uma negligência de uma esquerda que diz ter compromisso com os Direitos Humanos, mas na verdade está muito mais comprometido com o que há de mais asqueroso no poder: a falta de fibra pra realmente mudar o estado de coisas de uma minoria que é agredida constantemente nas ruas.

Nesta quinta-feira, 09, foi noticiado que um gay foi agredido gravemente em Porto Alegre, não me resta outra reação que não culpar o Governo, um governo fraco que cede às pressões de alas ultraconservadoras, mas se esquece que se elegeu com os milhares de votos de muitos homossexuais, lésbicas, transexuais, travestis e bissexuais que acreditaram que uma mulher faria a diferença. Que uma mulher, vítima de misoginia e – por ser masculina, independente de sua orientação sexual – talvez vítima de homofobia como a que recebeu em silêncio absoluto as provocações de Jair Bolsonaro, poderia pelo menos tornar os gays verdadeiros cidadãos desse país.

“Dilma Rousseff, pare de mentir. Se gosta de homossexual, assume. Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma”, disse o deputado federal homofóbico ao vento pois nunca recebeu um réplica da presidente. E eu digo: Dilma Rousseff, pare de mentir. Assuma logo que nada fará pelos homossexuais e nem por minoria nenhuma. E que tanto Maria do Rosário e Eleonora Menicucci são – infelizmente – peças decorativas pra dar um ar progressista em um governo cada mais obscurantista.

Já dá para sentir nas redes sociais que muitos gays se arrependem do voto que depositaram no Governo de Dilma Rousseff. Por isso, esse é o grande equívoco que este Ministério da Saúde e esse Governo Federal estão cometendo. Um equívoco que vai ser muito mais difícil de ser reparado mais pra frente, nas urnas.

Jean Wyllys se pronuncia sobre a retirada de vídeo da campanha de prevenção à AIDS/DSTs pelo MS

Visto no Site do Deputado Jean Wyllys  e no blog homorrealidade

No final do ano legislativo de 2011, ao receber notícia de que os recursos destinados à campanha do Ministério da Saúde para o Dia Mundial de Luta Contra a Aids teriam sido significativamente reduzidos, imediatamente contatei o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, solicitando esclarecimentos sobre as informações veiculadas na grande mídia, acompanhadas do detalhamento do orçamento do Ministério para políticas de prevenção às DST/Aids.

Apesar de meus esforços para conseguir uma audiência com o ministro, através de ofícios enviados ao seu gabinete, bem como mensagens trocadas de nossos perfis pessoais no Twitter, não fui recebido para ouvir os esclarecimentos solicitados. O ministro apenas destacou um assessor para falar comigo por telefone.

Não bastasse estas preocupantes informações – que foram  negadas através de ligação feita pelo assessor do Ministério da Saúde – o ministro Padilha determinou hoje, ao Programa de  DSTS/AIDS que retirasse, da página do Ministério na internet, o vídeo institucional com imagens de dois rapazes trocando carícias em uma boate. O filme, que seria exibido com parte da campanha de Carnaval de prevenção à AIDS em TV e na internet, agora passará a ser exibido apenas em espaços fechados frequentados por homossexuais, segundo denúncia feita pela imprensa.

Ora, se verdadeira a denúncia (e eu aguardo explicações por parte do Ministro; informações que solicitarei mais uma vez, por meio de requerimento de informação, previsto na Constituição Federal), trata-se de um nocivo equívoco, já que o próprio Ministério divulgou dados epidemiológicos apontando aumento da incidência de DSTs/AIDS em jovens homossexuais masculinos. O vídeo não deve estar restrito aos guetos gays, como propôs o Ministério, afinal, nós, LGBTs, não estamos restritos a guetos. Queira o ministro Padilha ou não, nós somos parte da sociedade: frequentamos as padarias, os postos de saúde, as academias, os bancos e os mesmos restaurantes em que os cidadãos e cidadãs heterossexuais freqüentam. E assistimos à mesma tevê aberta!

Não serei cúmplice dessa hipocrisia e homofobia mascarada. Cumprindo meu papel não somente de cidadão brasileiro homossexual e deputado federal que defende as causas, entre outras, de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (LGBT), mas, principalmente de fiscal do executivo, vou solicitar informações ao Ministério sobre a denúncia e expedir requerimento de informação sobre a Campanha de DST/AIDS ao ministro para saber a razão da suspensão de peça tão crucial para a saúde da juventude LGBT, justamente por ser ela o grupo vítima preferencial da epidemia de AIDS no momento. E o ministro terá de me responder, por ser sua obrigação prestar esclarecimento ao Legislativo sobre as políticas conduzidas pelo Executivo.

Deputado Federal Jean Wyllys 
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