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sábado, 11 de fevereiro de 2012

"Sobre a censura de vídeo gay no Ministério da Saúde, o equívoco foi do Governo" Por Vitor Angelo


Por Vítor Angelo no Blogay e no blog homorrealidade

Já vimos essas cenas em muitas novelas da Globo, casais gays se abraçando, sem beijo – é claro- , como nesse vídeo. Nada de novo no front.

O que pega é a desculpa do Ministério da Saúde e de seu ministro Alexandre Padilha – o mesmo que teve enfrentamento em janeiro desse ano com as feministas que eram contra o cadastro das grávidas e Dilma (só depois de muita pressão e porque iria ficar bem mal para sua imagem de defensora das mulheres) voltou atrás e vetou -  que decidiram retirar o vídeo no site do ministério e da publicidade em TV aberta.

Segundo a Folha, o ministério acredita que a postagem do vídeo no portal foi “um equívoco”. Mas o grande equívoco é assistirmos a mais uma atitude hipócrita de um Governo em relação aos homossexuais desse país. Mais uma negligência de uma esquerda que diz ter compromisso com os Direitos Humanos, mas na verdade está muito mais comprometido com o que há de mais asqueroso no poder: a falta de fibra pra realmente mudar o estado de coisas de uma minoria que é agredida constantemente nas ruas.

Nesta quinta-feira, 09, foi noticiado que um gay foi agredido gravemente em Porto Alegre, não me resta outra reação que não culpar o Governo, um governo fraco que cede às pressões de alas ultraconservadoras, mas se esquece que se elegeu com os milhares de votos de muitos homossexuais, lésbicas, transexuais, travestis e bissexuais que acreditaram que uma mulher faria a diferença. Que uma mulher, vítima de misoginia e – por ser masculina, independente de sua orientação sexual – talvez vítima de homofobia como a que recebeu em silêncio absoluto as provocações de Jair Bolsonaro, poderia pelo menos tornar os gays verdadeiros cidadãos desse país.

“Dilma Rousseff, pare de mentir. Se gosta de homossexual, assume. Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma”, disse o deputado federal homofóbico ao vento pois nunca recebeu um réplica da presidente. E eu digo: Dilma Rousseff, pare de mentir. Assuma logo que nada fará pelos homossexuais e nem por minoria nenhuma. E que tanto Maria do Rosário e Eleonora Menicucci são – infelizmente – peças decorativas pra dar um ar progressista em um governo cada mais obscurantista.

Já dá para sentir nas redes sociais que muitos gays se arrependem do voto que depositaram no Governo de Dilma Rousseff. Por isso, esse é o grande equívoco que este Ministério da Saúde e esse Governo Federal estão cometendo. Um equívoco que vai ser muito mais difícil de ser reparado mais pra frente, nas urnas.

Jean Wyllys se pronuncia sobre a retirada de vídeo da campanha de prevenção à AIDS/DSTs pelo MS

Visto no Site do Deputado Jean Wyllys  e no blog homorrealidade

No final do ano legislativo de 2011, ao receber notícia de que os recursos destinados à campanha do Ministério da Saúde para o Dia Mundial de Luta Contra a Aids teriam sido significativamente reduzidos, imediatamente contatei o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, solicitando esclarecimentos sobre as informações veiculadas na grande mídia, acompanhadas do detalhamento do orçamento do Ministério para políticas de prevenção às DST/Aids.

Apesar de meus esforços para conseguir uma audiência com o ministro, através de ofícios enviados ao seu gabinete, bem como mensagens trocadas de nossos perfis pessoais no Twitter, não fui recebido para ouvir os esclarecimentos solicitados. O ministro apenas destacou um assessor para falar comigo por telefone.

Não bastasse estas preocupantes informações – que foram  negadas através de ligação feita pelo assessor do Ministério da Saúde – o ministro Padilha determinou hoje, ao Programa de  DSTS/AIDS que retirasse, da página do Ministério na internet, o vídeo institucional com imagens de dois rapazes trocando carícias em uma boate. O filme, que seria exibido com parte da campanha de Carnaval de prevenção à AIDS em TV e na internet, agora passará a ser exibido apenas em espaços fechados frequentados por homossexuais, segundo denúncia feita pela imprensa.

Ora, se verdadeira a denúncia (e eu aguardo explicações por parte do Ministro; informações que solicitarei mais uma vez, por meio de requerimento de informação, previsto na Constituição Federal), trata-se de um nocivo equívoco, já que o próprio Ministério divulgou dados epidemiológicos apontando aumento da incidência de DSTs/AIDS em jovens homossexuais masculinos. O vídeo não deve estar restrito aos guetos gays, como propôs o Ministério, afinal, nós, LGBTs, não estamos restritos a guetos. Queira o ministro Padilha ou não, nós somos parte da sociedade: frequentamos as padarias, os postos de saúde, as academias, os bancos e os mesmos restaurantes em que os cidadãos e cidadãs heterossexuais freqüentam. E assistimos à mesma tevê aberta!

Não serei cúmplice dessa hipocrisia e homofobia mascarada. Cumprindo meu papel não somente de cidadão brasileiro homossexual e deputado federal que defende as causas, entre outras, de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (LGBT), mas, principalmente de fiscal do executivo, vou solicitar informações ao Ministério sobre a denúncia e expedir requerimento de informação sobre a Campanha de DST/AIDS ao ministro para saber a razão da suspensão de peça tão crucial para a saúde da juventude LGBT, justamente por ser ela o grupo vítima preferencial da epidemia de AIDS no momento. E o ministro terá de me responder, por ser sua obrigação prestar esclarecimento ao Legislativo sobre as políticas conduzidas pelo Executivo.

Deputado Federal Jean Wyllys 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Xingu Vive

Durante a entrega do prêmio Jovem Cientista, Dilma foi surpreendida pela estudante Ana Gabriela P. Ramos. Com duas faixas pintadas no rosto e a frase "Xingu Vive" no braço, Ana Gabriela deixou a presidente contrariada ao pedir que parasse as obras da usina de Belo Monte. A resposta? Um "ah, tá", disse Ana.http://oglobo.globo.com/pais/dilma-participa-da-entrega-do-premio-jovem-cientista-3392224

terça-feira, 14 de junho de 2011

Deputado ameaça denunciar o Brasil por 'perseguição' a homossexuais

Deputado ameaça denunciar o Brasil por 'perseguição' a homossexuais

Visto no Gazeta OnLine
Por Letícia Gonçalves
Indicação de Arney Barcelos

Jean Wyllis diz que pode acionar as cortes internacionais, baseando-se em tratados de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) diz que pode acionar as cortes internacionais, baseando-se em tratados de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário, como resposta à "perseguição" sofrida pelos homossexuais por parte de fundamentalistas religiosos no país. Em Vitória para participar do primeiro seminário sobre Direito homoafetivo realizado pela Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Espírito Santo (OAB-ES), o deputado frisou que não se refere a toda a comunidade cristã, mas apenas parte dela.

"Se a perseguição sistemática aos homossexuais recrudescer por parte dos fundamentalistas religiosos - não me refiro à comunidade cristã como um todo, mas aos fundamentalistas, aqueles que usam a Bíblia para violentar a diginidade da pessoa humana - eu vou acionar as cortes internacionais. Porque o Brasil subescreveu tratados de defesa dos direitos humanos. Porque isso é violação de direitos, o que não podemos permitir".

Sobre o projeto do Ministério da Educação (MEC) "Escola Sem Homofobia", também chamado de Kit anti-homofobia, que foi suspenso pela presidente Dilma Rousseff (PT), Jean Wyllys diz que o Executivo cedeu à chantagem feita por deputados da chamada bancada evangélica, que não pediria explicações sobre o aumento do patrimônio do agora ex-ministro Antônio Palocci se a presidente cancelasse o kit. "Naquele momento o governo estava pressionado pela questão do ministro Palocci, que acabou caindo depois. Foi aí que os opositores da cidadania LGBT encontraram a brecha para chantagear o governo. O governo cedeu".

Ainda sobre o Kit, o deputado rebateu as criticas de que o material a ser distribuído nas escolas pudesse ser um incentivo a que os estudantes se tornassem homossexuais. "O projeto não faz proselitismo e nem pode transformar ninguém. A orientação sexual de ninguém pode ser estimulada por meio de livro didático. Se fosse, eu seria heterossexual, porque todos os livros que eu estudei o incentivo era para ser heterossexual, mas minha sexualidade é homossexual".

O coordenador da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Gustavo Bernardes, diz que a suspensão do "Escola sem homofobia" não significa que o governo federal não esteja preocupado com a homofobia nas escolas e que outros projetos são estudados.

O jornalista e cronista Jace Theodoro, que fez uma participação na abertura do seminário, diz que no Espírito Santo, como de forma geral no brasil, a homofobia e posições contrárias ao reconhecimento da união homoafetiva surgem da falta de informação. "Ninguém está falando sobre casamento na igreja, não queremos casar de véu e grinalda. Queremos apenas direitos civis, como partilha de bens e herança. Isso beneficia os homossexuais e não prejudica os heterossexuais", afirmou.

Homossexualidade e pedofilia

Questionado sobre declarações do senador Magno Malta (PR-ES), que faz parte da bancada evangélica, o deputado do PSOL diz que o senador age de má fé.

"Chega a ser má fé do senador Magno Malta associar homossexualidade à pedofilia. Quem pratica largamente a pedofilia no Brasil são homens heterossexuais. As vítimas preferenciais são meninas. Os dados são do IBDFAN (Instituto Brasileiro dos Direitos da Família). As meninas são arrastadas para prostíbulos. Elas são abusadas por padrastos e até pelos pais".

A assessoria do senador Magno Malta informou que o parlamentar não fala por má fé e sim com base em dados da CPI da Pedofilia, que foi presidida pelo próprio Malta.


Veja a matéria no Gazeta Online: clique aqui!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O descompasso do preconceito

O descompasso do preconceito - por Augusto Martins e Adaor Marcos de Oliveira Escrito por Augusto Martins e Adaor Marcos de Oliveira no Facebook (@_augustomartins & @ADAOR) tambem em homorrealidade


Certos olhares sobre o Congresso Nacional Brasileiro causam estranheza. É estranho, por exemplo, ver a denominada “bancada evangélica” esmiuçar a palavra pecado. Tais deputados têm sempre aquele discurso pronto, com “argumentos” de que alguns desses pecados abomináveis são cometidos por homossexuais, os grandes “responsáveis” pela degradação familiar.

Tamanha foi a insistência, que conseguiram distorcer o projeto do MEC (Ministério da Educação e Cultura) que distribuiria nas escolas públicas o kit “Escola Sem Homofobia”, fazendo com que sua confecção fosse interrompida.

Tais religiosos, sempre com seu dedo acusativo, apontam os erros alheios, mas fecham os olhos para os seus. São deputados que já foram investigados, processados, cassados, mas que insistem em posar de bons moços, classificando a homossexualidade como algo errado, contrário à vontade de Deus.

E foi assim que a presidente Dilma Rousseff, sob o argumento de que não aceita propaganda de opções sexuais, mandou cancelar a distribuição do kit. Como uma pessoa esclarecida, como a senhora presidente, ainda crê ser a homossexualidade uma opção? Isso é motivo para cancelar um programa de combate à discriminação?

Ninguém é ingênuo a ponto de levar tal argumento a sério. Todos nós sabemos que a interrupção do kit trata-se de uma atitude política. Para salvar seu Ministro da Casa da Civil de investigação, Dilma, como moeda de troca, deu à bancada evangélica aquilo que eles queriam. Assim, todos ficam contentes: o ministro não é investigado e os evangélicos podem comemorar sua vitória em “defesa da família”.

Dilma Rousseff foi eleita com a imagem de grande defensora dos Direitos Humanos, a mulher que bravamente lutou contra a ditadura militar. Mas bastou o primeiro sinal de crise política em seu governo para que certas causas de campanha caíssem por terra.

Claro que o governo possui pessoas decentes, como a Ministra Maria do Rosário. Ou mesmo o Congresso Nacional, que ainda tem alguns desbravadores da democracia, que legislam verdadeiramente em prol de causas justas, humanitárias, ambientais, que fogem ao “olhar para o próprio umbigo”.

Tudo isso faz com que lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros saiam de tal episódio com uma leve sensação de derrota. Mas como dizia o filósofo Edmund Burke: "Quem luta contra nós, reforça nossos nervos e aguça nossas habilidades. O nosso antagonista é quem mais nos ajuda."

E para apenas para informar aquilo que muitos ignoram, o projeto “Escola Sem Homofobia”, que seria oferecido às escolas, tem imprescindível papel de conscientização, e dá conta daquilo que de fato se propõe, que é o combate ao preconceito e à violência.

Uma pessoa não se tornará homossexual em virtude um filme educativo. Se fosse assim, nos tornaríamos corruptos assistindo a películas como Tropa de Elite, ou violentos ao ver clássicos como Apocalypse Now, ou, ainda, psicóticos, depois de assistir a Cisne Negro.

O kit anti-homofobia não vai ensinar ninguém a ser homossexual. Vai ensinar o significado da palavra RESPEITO, termo desconhecido por essas bancadas que dizem representar a vontade do povo.

A proposta do MEC é louvável. O Ministério da Educação só está fazendo o que é dever das famílias: educar as crianças.

A educação que vem de casa é a base, tem poder transformador, é vacina contra o preconceito e contra a intolerância.

E para a bancada evangélica, que insiste em legislar “em nome Deus”, se esquecendo da laicidade do Estado, deixo as palavras de Frei Betto: “Pecado é aceitar os mecanismos de exclusão e selecionar seres humanos por fatores biológicos, raciais, étnicos ou sexuais. Todos são filhos amados por Deus. Todos têm como vocação essencial amar e ser amados. A lei é feita para a pessoa, insiste Jesus, e não a pessoa para a lei"

quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Kit Gay" 2.0 nas Escolas

Por Hélio Filho para o portal Mix Brasil 01/06/2011

Haddad: assustado com o pré-conceito

O ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou nesta semana que o kit anti-homofobia de seu ministério será refeito a tempo de ser distribuído ainda neste ano para 6 mil escolas brasileiras. A declaração de Haddad tranquiliza quem achava que o material anti-homofobia havia chegado ao fim com a suspensão baseada em interesses políticos da presidente Dilma Rousseff.

O ministro confirmou que a base do material e seus objetivos serão mantidos, mas a elaboração da nova roupagem dele vai ser feita com mais discussões, como havia pedido Dilma. “Faremos agora essa discussão, mas com base mais técnica, chamando especialistas.” Depois de pronto, o kit anti-homofobia ainda deve receber o aval da comissão de publicação do Ministério da Educação (MEC) e só depois disso seguir para a aprovação do Governo Federal.

Haddad se disse ainda assustado com o posicionamento tomado contra o kit. “E me assustei por uma razão muito simples: a maioria das pessoas que se manifestou inicialmente declarou, posteriormente, que não haviam lido o livro objeto da polêmica.” Ou seja, puro pré-conceito.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mais um ATAQUE - Dorothy Lavigne, Curitiba

Nada como sentir na pele... 

"Apesar de tudo, ainda acredito na espécie humana"
(Anne Franck menina judia assassinada pelos nazistas)

Hail Mott!!!

Venho neste espaço denunciar algo muito triste e revoltante que ocorreu a minha pessoa e gostaria de fazer alguns apontamentos.

Resolvi escrever este aritgo por vários motivos, mas o principal é o de tirar dúvidas a respeito de uma agressão homo/transfóbica por mim sofrida no ultimo sábado, quando retornava tranquilamente de uma festa de aniversário. E também por acreditar na enorme importância das pessoas que sofrem este tipo de violência tornarem-se portadoras do proprio grito de justiça. Na midia em geral, geralmente este tipo de assunto é apresnetado por terceiros, por maus jornalistas que têm o hábito de distorcer a realidade e pior, coisificar os individuos, como se fossemos coisas, meros pedaços de carne, usados como materia para noticia. Espero não ser injusta com ninguém.

Peço desculpas por ter demorado mais de uma semana para publicar este relato, mas se demorei tanto foi pelo fato de que sofri uma terrivel pressão psicológica, a qual foi capaz de fazer fugira as palavras. E por que trata-se de um tema que não se pode apresentar com exatidão, mesmo usando todas a palavras do mundo.



Voltava apressadamente por volta das 4 horas da manhã junto a alguns companheiros, de uma festa de aniversário que havia ocorrido no Largo da Ordem, centro histórico curitibano e espaço de socialização de jovens que não têm acesso as boates e clubes de classe média, Corríamos pois um colega nosso se apresentava embriagado –nada demais, acredito- e nos dirigíamos a algum hospital ou procurávamos um modo de minimamente colocá-lo num ônibus e despachá-lo para casa em segurança. Foi nesse momento que, ao ver ao longe a aproximação de algumas pessoas, me adiantei para pedir socorro. Não sabia mas quem vinha pela rua escura (estávamos na altura do Cemitério Municipal) era meu algoz. Tinha o sangue nos olhos, as faces retorcidas pelo ódio, o ímpeto de descontar sua ira contra um alvo mais fraco.

A cena que seguiu sinceramente gostaria de esquecer. Aos gritos de “vou bater num viado, começando por esse aqui”, veio na minha direção. Tentei fugir, mas ao virar as costas senti o peso do primeiro chute, covarde, nas costas, e meu corpo caindo na calçada. Neste momento, só pensei em seguir a Cartilha: defender a cabeça e os pontos vitais, enquanto gritava pedindo por socorro e clamando misericórdia por parte dos agressores (foram 3 pelo que me contaram, na ânsia por me defender só conseguia enxergar um deles), pedia perdão desesperadamente pelo crime que havia cometido- o crime de ser “viado”, ao mesmo tempo em que jurava minha improvável inocência- por ser “trans” trajava vestimentas do “sexo oposto”, “escandalosas”, como diria a minha mãe (afinal a culpa é sempre da vítima).

2 dias depois, ainda sem rumo , transtornada pelo choque da violência e sem saber para onde me dirigir e o que fazer, fui a faculdade e lá encontrei com alguns amigos, que, indignados pela situação resolveram me acompanhar na via crucis burocrática. Passamos, em primeiro lugar, na PRAE (Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis) da UFPR, que não tomou rigorosamente providência nenhuma. Apesar de não estar devidamente matriculada neste semestre, o que foi pedido a instituição UFPR, não era nada além de um atendimento humanitário a alguém que precisava de um apoio simples. Como meus amigos também estão inscritos no que se convencionou como segmento LGBT, temíamos discriminação ou mesmo truculência por parte da policia quando fossemos a delegacia (o que de fato aconteceu). Mas até mesmo a isto a instituição se negou, alegando problemas burocráticos.

Não teríamos conseguido sequer registrar o Boletim de Ocorrência se não fosse a presença do professor
Pedro Bodê, cujo nome faço questão de incluir no meu relato, juntamente com meus sinceros aplausos e minhas Moçoes de Louvor. O atendente do 1º teve a falta de humanidade de se negar a nos atender e registrar o caso, alegando que não poderia fazê-lo a menos que reconhecesse o agressor. Ora, não é função da Polícia investigar? Estamos pagando pesados impostos, para que as instituições façam “corpo-mole” ajudando na fuga desse tipo de criminoso, que, alias, faz o serviço sujo do sistema, tirando os ‘viados’ de circulação? Fico pensando nos inúmeros casos de travestis que alem de terem que se contentar com a imposição da prostituição como ganha-pão, ainda ficam a mercê de atentados deste tipo, surras com extintor, pauladas de desconhecidos, tiros, assassinados. E sempre a culpa é delas que “aprontam”.

Em meio a vociferações, ameaças simbólicas e abusos de poder, só fomos atendidos na delegacia quando entrou o professor, junto com um advogado ligado a Comissão de Direitos Humanos. Ai só faltou o delegado nos oferecer cafezinho...

Ora, sabemos que estes casos costumam ficar impunes no nosso pais. Mas na minha concepção, e posso estar muito enganada. Ao me permitir fazer a queixa os policiais não estaria me prestando nenhum favor, pelo contrário, além de serem pagos com dinheiro do contribuinte (mal pagos, muitas vezes, façamos a justa ressalva) ainda teriam com meu relato a oportunidade de prender um provável futuro assassino ou genocida homofóbico, caso houvesse vontade política. Foi pensando nisso, que numa espécie de “dever cívico” de denunciar um maníaco perigoso (vai que, em vez de um ‘viado’ ele pegue o filho de um Policial Civil, por engano), que me dirigi a delegacia.

No outro dia fui com meus amigos e o advogado fazer o exame de Corpo de Delito. Mais uma vez tive que deslocar pessoas, pois tinha medo de ser discriminada, ou de ouvir comentários “carinhosos” como aquele que teve de ouvir um colega nosso, agredido a anos atrás, da boca de uma enfermeira- “agora, vê se aprende”; ou talvez até algo pior, já que no recinto do consultório o médico teria acesso ao meu corpo. Mas tudo transcorreu como de praxe. Minha suposta identidade de gênero em momento algum fora respeitada. “’nome social’, o que é isso, mesmo?” . Mediram com uma régua os meus ferimentos, com o mesmo grau de humanidade e com o mesma objetividade científica que se mede uma rua ou um pedaço de carne. Mas, como disse, fora apenas um exame de rotina.

Só não entendo por que ate agora nem o SUS nem o IML conseguiram me garantir acesso a um raio-X do nariz, que creio ter sido fraturado. E agora permitam voltar a minha subjetividade. A uma semana que não consigo me olhar no espelho. Meu nariz torto é um símbolo, uma marca de que a “Milicia Heteronormativa” conseguiu fazer seu trabalho infame no meu corpo. Meu rosto é um aviso muito claro aos meus companheiros: “Cuidado, você pode ser o próximo”. Se o objetivo desse verdadeiro grupo de torturadores era me atingir psicologicamente e moralmente, acertaram em cheio. Tenho medo de sair a noite e até durante o dia. Deixei de freqüentar alguns eventos na faculdade, com medo de ser novamente agredida, ou me expor a alguma chacota por parte de algum colega homofóbico, politicamente correto o bastante para não destilar seu preconceito na minha frente. Cada hora do relógio, depois que o sol se põe é como um lembrete de que outro agressor, ou o mesmo, pode estar se aproximando. Ainda hoje pela manhã, quando voltava do supermercado, me vi correndo em direção a um grupo de estudantes, pois tive a sensação de estar sendo seguida por um individuo suspeito.

Vejo-me ainda mais revoltada com a situação, pois a menos de uma semana do caso de violência a que fui submetida, o Kit contra a Homofobia (que prefiro chamar de Kit anti-hipocrisia) fora cancelado pela President@ Dilma. Tenho longas criticas a fazer ao material, mas essa negativa me negaria, como profissional da educação de explicar aos meus alunos assustados o porquê da violência e a crise que sua professora estaria sofrendo. É terrível e assustador vivermos num pais no qual bandidos armados e com certeza da impunidade, se vêm no direito de espancar outros cidadãos por motivo absolutamente torpe e não podemos sequer falar sobre a assunto por ser um “tabu” e as “criancinhas”, estudantes secundaristas criadas assistindo BBB (algumas delas serão futuramente espancadas sem saber o motivo), não podem discutir ‘homofobia’ em sala-de-aula.

Apoio e vejo a importância vital de se criar estatísticas cada vez mais apuradas sobre o campeão mundial de homofobia (Brasil) , mas preciso desabafar. Uma coisa é ler números frios num pedaço de papel. Outra totalmente diferente é sentir o coturno pesado do agressor, no exato momento em que desfigura violentamente o nosso rosto. Uma coisa é ter acesso a trabalhos acadêmicos que tentam explicar a motivação homofóbica de tais crimes. Outra é sentir a dor das correntadas nos braços enquanto nos agachamos junto a parede, em posição fetal, implorando por socorro e torcendo e rezando para que os agressores não puxem facas ou revólveres para “terminar ali o serviço” .

Felizmente para mim, meus companheiros correram em meu auxilio, me levaram a um posto de gasolina, onde recebi os primeiro cuidados, onde meu rosto foi limpo, onde tentava desesperadamente limpar meus cabelos claros tingidos de vermelho pelo sangue que jorrava de um ferimento profundo na cabeça- a população LGBT é a única que não sabe como será recebida em casa depois de um avento deste tipo e não queria deixar minha mãe preocupada. Muitos não tem essa sorte. Muitos não voltam para casa.

Espero que meu relato sirva de alerta as autoridades (mais um) você sabe onde está seu/sua filho(a)? Estaria ela ou ele procurando alguma alvo frágil para descontar sua raiva, ou sendo espancado covarde e inocentemente, simplesmente por ter um “comportamento” que alguns acham que tem o direito “divino” de punir ? E espero que as autoridades façam alguma coisa para impedir que casos destes continuem acontecendo. Seja como for aprendi da pior (ou melhor) e mais dolorosa maneira a minha grande lição sobre o que é homo/lesbo/transfobia: literalmente na ‘base do porrada’. Espero que o caro leitor ou seus próximos não precise passar pelo mesmo sofrimento. 
 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Os agentes da ANA - Agência Nacional de Acobertamento

Faco das palavras de Paulo Brabo as minhas:

Os agentes da ANA

Alcançado com a vista por   Paulo Brabo

Estocado em Pormenor 27 de Maio de 2011

Recebi hoje o memorando. Meus superiores permitem finalmente que eu fale, desde que divulgue como ficção. Não acredite portanto em nada, porque se você insistir vou ter de negar – negar tudo, até mesmo que era verdade que eu estava mentindo em primeiro lugar.

Desde 1982 sou agente da organização mais secreta do Brasil (e, gostamos de pensar, do mundo): a ANA, Agência Nacional de Acobertamento. A ANA faz parte da tradição das sociedades mais secretas do mundo; daquelas duas ou três sociedades tão secretas que nenhum dos membros conhece qualquer outro membro, nem mesmo o esquivo sujeito que o recrutou. Os rosa-cruzes, os templários e a maçonaria não são apenas fichinha em comparação – eles na verdade trabalham pra nós.

A razão de ser da ANA, nosso objetivo primário e que explica o termo “acobertamento”, é manter oculto de todos os brasileiros o segredo mais bem escondido de todos: que o Brasil é na verdade, e há muito tempo, a maior potência tecnológica, cultural e política do planeta; que o Brasil e os brasileiros tiveram participação vital em todos os importantes avanços tecnológicos, movimentos culturais e manobras políticas internacionais dos últimos cinco séculos; que é o Brasil que lidera o bloco das nações do Bem na luta contra as nações do Mal, sendo que gente como os Estados Unidos e Israel são apenas marionetes nas nossas mãos (aquilo que na ANA chamamos de “potência-fachada”); que os líderes mundiais e a elite cultural do planeta olham para o Brasil com assombro, sincero respeito e um brilho sentido de esperança nos olhos, porque sabem que dependerá da nossa iniciativa qualquer incremento de justiça, de ciência, de cultura, de civilização e – em última instância, de paz – para o nosso cansado mundo.

É esse, em mal traçadas linhas, o segredo que temos de ocultar de todos os brasileiros – e, em menor grau, do resto do mundo.

Como você pode ver, até agora temos conseguido.

Só não imagine para os agentes da ANA uma rotina tranqüila de funcionário público (fomos nós também que espalhamos essa mentira), porque nosso trabalho não é mole não. Você não sabe, mas o Brasil é sempre destaque nos acontecimentos internacionais, e é esse o nosso problema. Nós ralamos diariamente para que você, brasileiro, permaneça ignorante da verdade, sem jamais chegar a conhecer a verdadeira versão dos fatos. Damos duro para que você continue acreditando que o mundo corre o seu curso à revelia do gigante nacional. Quando penso quão grande é a mentira e o quanto é improvável alguém acreditar nisso, é que vejo como é grande e fundamental o nosso trabalho.

Os exemplos são tantos. Deixe-me ver. Se você não ficou sabendo que o disco voador que caiu em Roswell, Novo México, em 1947, era brasileiro, o mérito é da ANA. Se você acha que Gandhi não era nordestino, nós fizemos a sua cabeça. Se você pensa que o primeiro satélite a ser lançado no espaço foi russo, parabéns, a sua fé é maior do que a minha. O primeiro computador portátil? Nós. E, acima de tudo, se você acredita que o Brasil realmente perdeu aquela eliminatória contra a Itália na Copa de 1982… bom, você não imagina o trabalho que isso deu.

As posições hierárquicas dos membros da ANA são definidas por letras gregas (língua que, a propósito, nós mesmos inventamos para preencher a lacuna do desaparecimento da Atlântida – mas isso já é outra história). Meu codinome é Brabo, e sou um ANA ALFA – isto é, tenho a graduação máxima. Outros agentes mais conhecidos da ANA, como o Diogo Mainardi, o Arnaldo Jabor e o Wanderley Andrade são ANA TETAS, todos eles. Antônio Carlos Magalhães é ANA ALFA como eu, bem como o Bispo Edir Macedo e mais uma meia dúzia que é melhor você não saber. Adriane Galisteu é ANA LAMBDA, a Xuxa ANA IOTA e a Ana Maria é BRAGA.

Resumindo: se você é daqueles que acham que o Brasil não vai pra frente – pois é, fique sabendo que há uma multidão de heróis anônimos por trás disso daí. Não pense que é fácil projetar essa imagem de incompetência por tanto tempo.
Ou, como eles dizem em inglês: me engana que eu gosto.

Publicado originalmente em 10 de fevereiro de 2005

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sobre os acontecimentos dessa semana.

Sobre os acontecimentos dessa semana.

hipocrisia que chama amigo… HI-PO-CRI-SI-A


Sério gent. vamos sair do armário vamos!
e se ajudar! parem de nos vassorar. venha se aceite.
você não é uma aberração da natureza, e nem vai para o inferno. Jesus te ama da mesma maneira. Ele te ama como você é! Jesus te criou assim baby, por isso vc nasceu assim.
Esse é apenas o seu jeitinho!
Vamo lá! é fácil!
se joga!

fui criado em lar ateu, estudei em colégio católico, fui evangelico e hoje sou gay e cristão, apesar de muita gente achar que não pode, que são "opções" auto-excludentes. Mas olha boto muita fé ”que Jesus Cristo era um cara bem legal e veio a Terra pra dar tapa na cara da sociedade hipócrita que existia na época.” como disse João Marcio no seu blog.

Vamos pensar e ler mais vamos!?
Enquanto vocês não lerem não vão entender nada. NA-DA.

PAREM de repetir tudo o que o pastor fala lá na frente e peça pro Espirito Santo abrir seu entendimento. sério mesmo. leiam. reflitam. pensem.

ta bom? tranquilo? quilo?

bêj.
L

Dilma precisa de um kit anti-homofobia

Dilma precisa de um kit anti-homofobia - Por Rafa Zveiter

Por Rafa Zveiter para o Entre Nós e em homorrealidade

Um dia após se render a chantagens da bancada religiosa fundamentalista do Congresso Nacional e suspender o Programa Escola Sem Homofobia, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), Ministério da Saúde e pela Secretária de Direitos Humanos - ambas de seu governo - a presidenta Dilma Roussef resolveu se manifestar. O que ouvi, estupefado, na CBN e depois li em diversos portais, foi um festival de bizarrices de embrulhar o estômago e me fazer questionar: será que fiz bem em apoiar a campanha dela para a Presidência da República.

Como se não bastasse ter se aliado a uma bancada que, em parte a atacou durante a campanha eleitoral; de ter entrado em sintonia perfeita com a extrema-direita, personificada pela figura horrenda do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), hoje, Dilma, ao defender o indefensável, disse que "não vai ser permitido em nenhum órgão do governo fazer propaganda de opções sexuais". Foi assim, ressaltando, claro, que o governo federal vai continuar lutando contra a homofobia, que Dilma justificou sua covardia.

A presidenta está mal informada, assim como diversos brasileiros, ela chama orientação sexual de "opção sexual". Ela mesma parece precisar de um kit anti-homofobia, que ela chama, assim como os evangélicos e Jair Bolsonaro, de "kit gay". Será que um dia a presidenta sentou-se em sua cama e se perguntou: sou lésbica ou heterossexual? Claro que não! Ela sabe bem o que é. Então, da mesma forma, as outras pessoas, não optaram por nada! Justamente para evitar esse tipo de argumento tosco é que é necessário, sim, educar os adolescentes nas escolas. Nem sempre a família faz isso, mas este é o dever de um Estado responsável.

Será que, ao falar sobre o uso de preservativo, o governo federal está estimulando a prática sexual? Na escola, aprendemos o que acontece quando um homem transa com uma mulher. Os professores nos ensinam isso. Ensinam sobre a reprodução etc. Em determinado momento, as pessoas praticamente não falavam sobre sexo umas com as outras. Mas, hoje em dia, alguém ousa afirmar que, ao falar sobre sexo, a escola está estimulando os adolescentes a praticá-lo? Claro que não! Sabemos muito bem que meninas de 12 anos estão engravidando! Então, qual é o problema de mostrar que lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais existem e merecem respeito aos estudantes?

O Brasil não possui números oficiais, em âmbito nacional, sobre a violência contra os LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). O Rio de Janeiro, por exemplo, tem essa estatística. Mas nacionalmente, isso não existe. Entretanto, é público e notório - basta ler os jornais ou rever as próprias atitudes - que os LGBTs sofrem preconceito constantemente. São piadinhas de péssimo gosto, agressões verbais, agressões físicas, torturas psicológicas etc. Imagine sofrer isso, constantemente, dentro de um local que serve para ajudar na formação do indivíduo: a escola. Isso cria traumas, alguns incuráveis. Em casos extremos, chega-se ao suicídio. Com esse quadro, o governo também sai perdendo, pois algumas pessoas abandonam as escolas ou repetem de ano, por exemplo.

O que o governo Dilma queria, antes da própria Dilma se aliar aos fundamentalistas, era simplesmente, ajudar a educar jovens e, também professores, para que eles possam lidar com a diversidade sexual de maneira saudável. Um dia, talvez, o tal "kit" nem fosse mais preciso, já que, os jovens educados, iriam transmitir valores diferentes dos que receberam de seus pais aos seus filhos. Infelizmente esse dia aprece estar bem longe. Por enquanto, o Estado só é laico no papel e, muitas vezes, parecemos estar em uma teocracia. Ainda bem que não estamos no Irã, cruzes!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Parlamentares reagem a veto de Dilma sobre o Kit Escola Sem homofobia

Parlamentares reagem a veto de Dilma sobre o Kit Escola Sem homofobia

Por Marcelo Hailer para A CAPA

"Fomos todos pegos de surpresa", é a frase que mais circulou em Brasília nesta quarta-feira (25). Segundo fonte ligada ao Ministério da Educação (MEC), que pediu para não ser identificado, a noticia de que a presidente Dilma Rousseff (PT) mandou suspender o kit anti-homofobia chegou ao MEC e a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) enquanto as respectivas equipes trabalhavam normalmente.

A Secretária de Educação Básica, Maria do Pilar Lacerda, não poupou o peso na mão na hora de escrever suas críticas à decisão em sua página no Twitter. "Tempo das trevas!", exclamou. A secretária lamentou que o governo tenha recuado para salvar Palocci. "Governo recua para salvar Palocci. Enquanto o patrimônio dele sobe, o do PT desce", criticou.

O Ministro da Educação, Fernando Haddad, está no Ceará e ainda não comentou sobre o veto. Segundo especialistas, mesmo que o governo volte atrás, o estrago está feito.

Articulação no Congresso Nacional

Os deputados federais Manuela D'ávila (PCdoB) e Jean Wyllys (PSOL-RJ) afirmam que vão articular uma ação conjunta entre a Frente Parlamentar LGBT e a Comissão de Direitos Humanos para articular os parlamentares progressistas e que apóiem o kit anti-homofobia para realizar uma reunião com o MEC.

Segundo a deputada, a é ideia é construir a partir de agora um diálogo a respeito de todo material que tiver o combate da homofobia como foco. "Queremos que o MEC abra agora uma mesa de negociação sobre materiais de combate a homofobia", declarou.

Jean Wyllys ainda fez duras críticas ao governo federal. "O governo federal não faz consultas populares acerca de suas políticas públicas em outras áreas, como saúde, habitação ou tributária", disse Jean. O deputado ainda criticou que em 2010 o Governo Federal usou mais da metade da verba para salvar o Capital Financeiro. "Diante deste escalabro ninguém se manifesta, agora contra o Kit Escola Sem Homofobia levanta-se todo o tipo de ignorância", criticou.

"Perdemos uma batalha"

Julian Rodrigues, coordenador do setorial nacional LGBT do PT, declarou que neste momento "perdemos" uma batalha. Segundo o ativista, a campanha feita pela bancada evangélica e por parte da grande imprensa foi "avassaladora". Rodrigues diz que os fundamentalistas ganharam a opinião púbica por que "distorceram" o Kit Escola Sem Homofobia.

Segundo o militante, isso mostra que a vitória do Supremo Tribunal Federal (STF) não "encerra" a discussão sobre a cidadania LGBT. Este revés é "momentâneo" e não deve interromper a luta contra a homofobia.

Ainda de acordo com Julian Rodrigues, uma nota oficial do Partido dos Trabalhadores será encaminhada ao presidente do partido, Rui Falcão, e a Presidente da República, Dilma Rousseff, pedindo para que se pronunciem a favor do Kit Escola Sem Homofobia.

Bolsonaro elogia Dilma

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) declarou que a decisão da presidente Dilma veio tarde. Segundo Bolsonaro, "90% da população é contra este kit". O parlamentar disse ainda que desde 2010 atuava contra o material e por conta disso sofria vários ataques. "Fui acusado de racista, homofóbico... Mas chegaram a conclusão de que estou certo", declarou Bolsonaro.

Na opinião do parlamentar, o material "incentiva" jovens à homossexualidade. Dentre inúmeras de suas pérolas, Bolsonaro chegou a declarar que "não existe bullying nas escolas e que os jovens gays morrem trocando agulhas nas ruas".

onde está a defesa dos Direitos Humanos prometida pela presidenta?


Nota Oficial divulgada em 25 de maio de 2011

A pergunta que fica à presidenta Dilma, após sua decisão de suspender o kit anti-homofobia que estava sendo elaborado pelo Ministério da Educação para distribuição nas escolas, é apenas uma: onde está a “defesa intransigente dos Direitos Humanos” que a senhora prometeu quando levou sua mensagem ao Congresso?

Não basta ser sensível à violação de Direitos Humanos em terras estrangeiras, essa proteção precisa ser feita, antes, aqui.
Os representantes do fundamentalismo religioso no Congresso decidiram apresentar, à presidenta, a conta do “apoio” dado na última eleição. O preço por terem “barrado” a campanha subterrânea de difamação à então candidata é a suspensão do Escola Sem Homofobia. E Dilma pagou!

A presidenta é inteligente e sabe que os assassinatos brutais de homossexuais, que chegam a mais de 200 por ano, estão diretamente ligados aos discursos de ódio. A comunidade LGBT e pessoas de bom senso esperavam da presidenta, um pouco mais de sensibilidade a esses dados, além de um mínimo de espírito republicano e vontade de proteger a TODOS e TODAS.

Apesar das inúmeras informações corretas sobre o kit anti-homofobia divulgadas inclusive por mim, há quem insista em mentiras e equívocos. Tirando as pessoas que falam sem conhecimento de causa, baseadas em preconceitos gerados pela desinformação, o que resta é má fé e cinismo.

A presidenta Dilma sentiu na pele, o que é ser difamada e insultada por discursos de ódio, alimentados por interesses espúrios. Tenho esperança de que a presidenta volte atrás, afinal, votei nela porque acreditava que só uma mulher poderia estender a cidadania aos LGBTs e mulheres em geral.

Se a presidenta optar por ceder à chantagem – não há outro nome – dos inimigos da cidadania plena fazendo de seu mandato um lamentável estelionato eleitoral, só me resta esperar que, na próxima eleição, os LGBTs e pessoas de bom senso despertem sua consciência política e lhe apresentem também sua fatura: não voto!

Jean Wyllys
Deputado Federal PSOL-RJ


NO MORE -> "Kit Gay" nas Escolas



VERGONHA BRA$IL

by homorrealidade em 25/05/2011

Triste covardia de Dilma e Haddad!
A omissão política MATOU, MATA e MATARÁ MILHARES de LGBTTs no BRA$IL.
O BRA$IL PRECISA DE CORAGEM PARA MUDAR! 
 

Dilma Rousseff manda suspender kit anti-homofobia, diz ministro

Por Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília e em homorrealidade em 25/05/2011


Segundo Gilberto Carvalho, presidente achou vídeo 'inapropriado'.Bancadas religiosas haviam ameaçado convocar Palocci.

Após protestos das bancadas religiosas no Congressso, a presidente Dilma Rousseff determinou nesta quarta-feira (25) a suspensão do "kit anti-homofobia", que estava sendo elaborado pelo Ministério da Educação para distribuição nas escolas, informou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

"O governo entendeu que seria prudente não editar esse material que está sendo preparado no MEC. A presidente decidiu, portanto, a suspensão desse material, assim como de um vídeo que foi produzido por uma ONG - não foi produzido pelo MEC - a partir de uma emenda parlamentar enviada ao MEC", disse o ministro, após reunião com as bancadas evangélica, católica e da família.

Segundo ele, a presidente decidiu ainda que todo material que versar sobre "costumes" terá de passar pelo crivo da coordenação-geral da Presidência e por um amplo debate com a sociedade civil. "O governo se comprometeu daqui para frente que todo material que versará sobre costumes será feito a partir de consultas mais amplas à sociedade", afirmou.

Segundo o ministro, a determinação do governo não é um "recuo" na política de educacional contrária à homofobia

"Não se trata de recuo. Se trata de um processo de consulta que o governo passará a fazer, como faz em outros temas também, porque isso é parte vigente da democracia", disse.

De acordo com Carvalho, Dilma vai se reunir nesta semana com os ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Saúde, Alexandre Padilha, para tratar do material didático.

"A presidenta vai fazer um diálogo com os ministros para que a gente tome todos os devidos cuidados. Em qualquer área do governo estamos demandando que qualquer material editado passe por um crivo de debate e de discussão e da coordenação da Presidência."

Retaliação suspensa
Diante da decisão de Dilma, o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PR-RJ), que participou da reunião com Carvalho, afirmou que estão suspensas as medidas anunciadas pelas bancadas religiosas em protesto contra o "kit anti-homofobia".

Em reunião, os parlamentares haviam decidido colaborar com a convocação do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, para que ele explique sua evolução patrimonial.

O ministro Gilberto Carvalho negou ter pedido que os parlamentares desistissem de trabalhar pela convocação de Palocci diante da decisão da presidente sobre o "kit anti-homofobia".

"Isso é uma posição deles. Nós falamos para eles que, em função desse diálogo, que eles tomassem as atitudes que eles achassem consequentes com esse diálogo. Eles é que decidiram suspender aquelas histórias que eles estavam falando. Não tem toma lá da cá, não", afirmou.

Os deputados também ameaçaram obstruir a pauta da Câmara e abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a contratação pelo MEC da ONG que elaborou a cartilha.

“Ele [Gilberto Carvalho] disse que tem a palavra da presidente da República de que nada do que está no material é de consentimento dela. Mas nós acordamos que ele falará. E nós suspendemos a obstrução e todas as nossas medidas”, afirmou Garotinho.
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