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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

o diferente sempre é um perigo?


Minha estreia no Blogueiras Feministas acontece numa semana em que declarações polêmicas são emitidas por pessoas conhecidas a respeito das relações homoafetivas. A primeira e sobre a qual pretendo discorrer nesse post, é a declaração de Marcelo Serrado, ator que interpreta o personagem gay Crodoaldo Valério, o Crô, da novela Fina Estampa, de que é contra beijo gay na novela das 21h. A outra declaração polêmica vem de um lugar de onde muitos já estamos acostumados a ouvir coisa semelhante, do Vaticano. O Papa Bento XVI numa reunião com o corpo diplomático do Vaticano, embaixadores de 180 países que têm relações de Estado com a Santa Sé, disse formalmente que as relações homossexuais representam um perigo para a humanidade e que a família tradicional (leia-se pai e mãe) é o lugar do verdadeiro acolhimento dos filhos. O problema dessa declaração, ao meu ver, é que ela além do peso espiritual para os cristãos, se reveste de um caráter político. Mas, esse é assunto para outro texto. Vamos ao caso Marcelo Serrado.
Crodoaldo, personagem gay interpretado por Marcelo Serrado na novela Fina Estampa. (TV Globo/Divulgação/João Miguel Júnior)
Um trecho da declaração de Marcelo Serrado à Folha de São Paulo diz o seguinte: “Não quero que minha filha [Catarina, 7] esteja em casa vendo beijo gay às nove da noite [na TV]. Que passe às 23h30.”
A reação geral das pessoas e militantes LGBT´s, bem como todos que defendem o direito de igualdade, da livre expressão do amor foi de surpresa e indignação. O que primeiro me veio à mente é que a declaração feita pelo ator traz em si informações sobre as quais podemos fazer algumas inferências. Que os linguistas e semanticistas me ajudem e corrijam se me equivoco!
1- a filha do ator vê a novela das 21h, mesmo que circunstancialmente;
2- a filha do artista acompanha o enredo da novela das 21h bem como o caráter dos personagens;
3- Catarina, embora até o momento “protegida” de um eventual beijo gay, assiste a todo tipo de imoralidade e falta de ética que se desenrola na novela.
4- o ator se importa que sua filha veja beijo gay na novela, mas não liga que ela aprenda a viver com o pior e o mais baixo que o ser humano pode chegar e prefere privá-la da descoberta de que o amor pode romper as fronteiras das normas estabelecidas por uma sociedade machista e homofóbica.
Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre) trocam beijo na novela Amor e Revolução (SBT/Divulgação/Lourival Ribeiro)
As inferências podem ser óbvias, mas extremamente necessárias para determinar o tipo de mentalidade que, não raramente, corre pelo nosso país.
Muitos expectadores de novelas, e de outros programas em geral, não questionam o efeito da divulgação da violência, de corrupção, de todo tipo de infidelidade, deslealdade, atitudes antiéticas, mas não consegue aceitar que o afeto e o amor entre pessoas do mesmo sexo apareça num capítulo do folhetim. Uma grande parcela da população pensa que a forma de proteger o bem-estar da família brasileira é manter os seus olhos distantes de um beijo gay sem se importar que todo um imaginário escuso se aloje na mentalidade de crianças e adultos.
Claro que não podemos relacionar a violência urbana às novelas e aos programas televisivos, mas não podemos ignorar que eles a banalizam e fazem da desgraça um espetáculo para consumirmos com os olhos marejados e um pote de pipoca nas mãos. Nesse momento, lembro-me de tragédias como a do Realengo em que mais do que a dor e as causas do fato, se esquadrinhava tudo o que pudesse dar àquele momento tão triste um cenário e um enredo cinematográfico hollywoodiano.
Day Kiss by Joe Phillips - paródia à fotografia de Jorgensen, cartoon
Day Kiss, ilustração Joe Phillips - paródia à foto clássica de Victor Jorgensen.
A declaração de Marcelo Serrado me faz pensar como para muitas pessoas é mais palatável um personagem cúmplice de barbaridades, como o é o personagem Crô – salvo suas ambigüidades e contradições, não é um personagem de todo mal, ri e se alegra com boas notícias, se sensibiliza com dores alheias -, do que um personagem que ame, beije, ria, cante, pule, se joge na grama com seu namorado.
Depois da reação de LGBT´s e seus pares nas redes sociais, Serrado tentou se retratar dizendo não ser homofóbico e que até tem amigos gays. Argumento bem conhecido de quem é gay ou sofre racismo: não sou racista, até tenho amigo negro.
Não diria que o ator seja homofóbico nem que um beijo gay na novela acabaria com a homofobia, mas que, certamente, ele está imerso numa sociedade que pensa que o diferente é sempre um perigo.
texto de Marcelo Spitzner copiado das blogueiras feministas 


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Criolo acima do preconceito!



Pra quem, como eu, que ficou boiando com as premiações de um tal de "Criolo" no VMB... segue aqui uma pequena amostra de quem e de quão humano ele é!  (em especial para meus amigos que assistiram comigo /;p  ele ganhou melhor disco, melhor musica e revelação) 

Nessa entrevista o apresentador faz graça dele, por 
ser comparado fisicamente com o Freddie Mercury.

E o Criolo da um resposta mto mas MTO fora do normal! 
Gamei geint!!! ^^

começa nos 3min30seg e vai ate os 5min40seg

leiam o texto abaixo,
copiado do blog homorrealidade

beijos
s2
L.








Criolo e uma lição para quem ridiculariza homossexuais

Por Élio Farias/ Equipe Homorrealidade


Kleber Cavalcante Gomes, conhecido como Criolo, é um artista rapper com mais de vinte anos de estrada. Seu último álbum, “Nó na Orelha”, reúne influências de diversos estilos musicais em sintonia com o Rap e já rendeu elogios do público e prêmios da crítica, incluindo “melhor disco de 2011” e “melhor música do ano” no Vídeo Music Brasil, da MTV.

Além de suas fortes criações na música, a postura do artista também chama a atenção. “O Rap prega o ‘não’ ao preconceito”, já afirmou algumas vezes. Nesse tom, Criolo demonstra ser artista não apenas pelo inegável talento, mas por mostrar suas próprias opiniões e sentimentos nas obras que entoa. Foi assim também, num programa exibido pela internet, que o músico deu um belo exemplo a quem costuma discriminar ou debochar de pessoas homossexuais.


Durante sua apresentação para o “ShowLivre”, transmitido pela UOL, Criolo ouviu o apresentador Clemente Nascimento dizer que havia um comentário “sacaneando” ele entre as perguntas dos internautas. Dizia o tal comentário: “Ele não parece o Freddie Mercury, só que com barba!?”. Risos no estúdio... Criolo também sorri e comenta: “Pô, legal! Pô, muito bom! É um ícone, um baita artista!”.

Os risos continuam. Criolo vira-se para compreender as reações e parece entender o deboche, certamente pelo fato de estar sendo comparado com um artista homossexual. Mas ele não se deixa levar: “Eu não entendo... Tá tudo bem pra mim. Se eu for 10% do que esse cara já foi artista no mundo, já tá bom pra caramba”, valoriza.

O apresentador segue perguntando quem são as influências musicais do cantor. Criolo responde: “Pode ser o Freddie também...”. O apresentador ri. Criolo então atiça: “Freddie, Ney Mato Grosso.... São ícones e estão acima de outras coisas que as pessoas falam!”, flecha sutilmente.

O apresentador não entende a indireta e ainda vira-se para a câmera tentando traduzir a afirmação do artista. “As coisas que ele está falando é que esses caras são ‘boiolas’ e ele não é ‘boiola’, entendeu!?”, vomita Clemente, achando graça. Outros também riem.

Criolo toma a questão para si e dá o exemplo, elegante como sempre: “Já que você tocou nesse termo, eu respeito todas as opções (sic) das pessoas. Não vou rir. Até parece que é defeito um cara ser homossexual. Eu não sou homossexual, mas jamais vou usar como chacota esse tema”, pontua.

O apresentador tenta mudar o assunto, envolve a questão do negro, tenta fazer outras gracinhas. Mas Criolo retoma sua opinião mais à frente: “A gente tem que ter a humildade de saber que pode aprender com todas as pessoas (...) Acho que esse lance da humildade e de respeitar a opinião da outra pessoa já é um bom começo!”, finalizou.





O episódio começa em 3min30seg 

Criolo é assim. Um rosto sisudo, um jeito doce, um discurso humanitário e uma obra incrível. Ele traz um novo olhar das pessoas para o Rap e suas ideologias. Traz também um exemplo de respeito à diversidade humana. Demonstra ser um artista de verdade, que sobrepõe o senso comum. Como diz uma de suas canções, ele tem orgulho da sua cor, do seu cabelo e do seu nariz. É assim e é feliz. Índio, caboclo, cafuzo, criolo. Brasileiro. E nada disso impede que ele possa conviver e respeitar as demais pessoas.




quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Cultura Machista

duas imagens que estão rolando no facebook para ilustrar:

Primeiro a comparação de duas mulheres de culturas diferentes 
e como elas se sentem ofendidas uma com a outra... 
e se referem a outra como "dominadas pela cultura machista"



E a segunda imagem é uma ÓTIMA definição de "vadia":
uma mulher com a moral de um homem.


tomara q no futuro possamos quebrar, 
desmontar, desconstruir, tudo isso.

beijos
s2
L. 

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