segunda-feira, 26 de março de 2012

Personalidades se reúnem para assumir publicamente sua homossexualidade


Personalidades se reúnem para assumir publicamente sua homossexualidade


Meus caros... Infelizmente essa manchete não é verdadeira (ainda!). Mas vale como uma sugestão de pauta para as revistas que queiram, além de provocar uma bela repercussão, apresentar um grande fato de interesse público. Claro que, como “interesse público”, não me refiro à exposição da intimidade de personalidades. Isso seria mais de “curiosidade do público”. Interesse público seria reafirmar que lésbicas, gays e bissexuais existem aos montes, com várias aparências e perfis, inclusive no mundo dos famosos, e reforçar que todos precisam ser tratados com respeito e igualdade de direitos.

Muitas celebridades, mesmo que já levantem suspeitas do público, preferem não assumir sua orientação publicamente porque não querem prejudicar suas carreiras e suas vidas tendo a mídia inteira relacionando seu nome a um rótulo. Eis a questão. Será que isso aconteceria da mesma forma se a revelação fosse coletiva? Será que a repercussão não seria menos focada no indivíduo e mais na questão homossexual como um todo? Não seria mais leve e mais relevante assumir? Carregar um “fardo” com a ajuda de outras pessoas não é mais fácil que levá-lo sozinho? 

Vemos todos os dias personalidades de incrível talento se definhando pouco a pouco em isolamentos e farsas para esconder seu aspecto homossexual. Isso acontece com políticos, atores, cantores, apresentadores, humoristas, atletas, jornalistas, artistas plásticos, cineastas, escritores... Com tanta repressão, há quem já tenha perdido a personalidade, o respeito por si próprio, a dignidade como ser humano. Há aqueles que já perderam o convívio saudável com a família, com as pessoas que amam e outras possíveis novas histórias de amor. Conhecemos casos de quem já recorreu aos vícios, iludindo-se em fantasias e prejudicando a própria saúde. Há famosos que já adoeceram e até presenciaram riscos de morte. Há casos ainda piores. Há quem já passou por tudo isso e, mesmo assim, continua a se reprimir. Será que vale a pena? Criar tanto sofrimento justamente por medo de sofrer? Morrer em vida por medo de morrer de verdade? Que sentido há?

Imagine como seria transformador ver um grande número de pessoas de renome que, conjuntamente e ao mesmo tempo, decidam romper a barreira do preconceito e assumir publicamente sua condição homo ou bissexual. Imagine quão fantástico isso seria para milhões de LGBTs que sofrem com a falta de representatividade no país, com a escassez de referências de valor. Mesmo com tantos prós e contras levantados por famosos que já passaram por essa experiência individualmente, seria fantástico poder contar com uma revelação desse porte num momento em que a homofobia coleciona mais e mais vítimas. 

Fica a sugestão e o sonho de ver uma notícia dessas se tornar real. Afinal, todos sabem que a ignorância e o preconceito só têm forças quando a verdade insiste em se esconder.

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