Nunca havia conhecido alguem que era contra adoção de crianças por casais gays.
Até conversar com minha cabeleleira, a travesti do pilarzin, segundo ela mesma, que é mulher, casada e tem uma filha de 15 anos, que um dia me falou "a única coisa que não acho certo é adoção de crianças por casais homossexuais" e sua justificativa era de que isso poderia virar modinha entre os gays (modinha!?) assim como ter um chiuaua e chamá-lo de Tinkerbell (nome do cachorrinho da Paris Hilton, em referência a Sininho do Peter Pan). Sabe né, na época eu tava tão de boa que nem me lembro qual foi a minha reação, mas lembro que fiquei com isso na cabeça, ainda mais vindo de uma pessoa que é super aberta e gay friendly.
Conversando com outras pessoas sobre isso, a maioria apóia a adoção por casais homossexuais. E o principal argumento é que existe tanta mãe displiscente que abandona crianças recém-nascidas, ou mesmo que não tem condições de manter um filho no mundo, que é melhor para a criança e para a sociedade que elas sejam adotadas, mesmo por um casal gay. E o outro agrumento que eu já ouvi é o grau de maturidade que um casal gay apresenta. Em primeiro lugar por conseguir se manter como um casal, em uma sociedade hipócrita e preconceituosa. Em segundo lugar por serem "bons" o suficiente para se propor a criar uma criança de outrem. Em terceiro lugar por tudo que ouvimos sobre a "destruição da instituição família" que existe hoje em dia, e muita culpa é direcionada aos "pervertidos homossexuais"; e mesmo assim casais gays são afim de cuidar da criança que heterossexuais incapazes ou irresponsáveis botaram no mundo. Sabe geint. Somos seres humanos como qualquer outra pessoa e temos nosso instinto paternal, apesar de gostar de alguem do mesmo sexo. O meu sonho ainda é contruir um família, casar, comprar uma casa, ter filhos e cachorros. Viajar em família, buscar as crianças no colégio...
Leiam com atenção o texto abaixo.
Agradecido
bêj

Pesquisa mostra que formação homossexual de família não interfere no desenvolvimento infantil
Visto no Mãe na Web
28/04/2011 by homorrealidade
Um estudo realizado pelo pesquisador Ricardo de Souza Vieira, do Instituto de Psicologia da USP, mostra que a criação e a educação dada às crianças por casais homossexuais não acarreta perda psicológica. O estudo psicanalítico sobre papéis e funções parentais em casais homossexuais com filhos foi baseada em uma pesquisa antropológica publicada no livro “Conjugalidades, parentalidades e identidades lésbicas, gays e travestis”, lançado em 2007, que considerou filhos provenientes de relações heterossexuais anteriores, de reprodução assistida ou de adoção.
Segundo Vieira, a estrutura familiar e as funções que asseguram o desenvolvimento da criança não estão vinculadas à orientação sexual do casal. O que importa é o desejo de ser responsável por uma criança. “As relações de responsabilidade dos pais e da criança com os adultos, que definem a estrutura familiar, não sofrem alterações. As relações de parentesco são mais simbólicas do que biológicas. As funções psíquicas são o que realmente importa para o desenvolvimento de uma criança, e elas estão descoladas do aspecto anátomo-fisiológico do corpo.”
De acordo com ele, em um casal homoparental, formado por homossexuais, as funções materna e paterna são preservadas e podem estar ou não presentes, assim como nas famílias heterossexuais. A função psíquica materna é de estar mais próxima da criança, ser responsável por ensinar a linguagem e por cuidar e proteger com mais assiduidade. A função paterna limita a proximidade da criança com a mãe e determina limites e regras.
Os dados mostraram que as crianças não sentem a necessidade de possuir uma mãe do sexo feminino, e um pai do sexo masculino, pois as funções psíquicas são exercidas por duas pessoas do mesmo sexo. “Não há regra geral, a criança costuma criar diferentes formas de nomear os pais, como: pai X e pai Y ou mãe X e mãe Y. Raramente, uma criança chama um de pai e outro de mãe”, explica. “Minha experiência de trabalho e observação com crianças indica que a maneira como ela percebe, valoriza e qualifica sua realidade depende muito de como os responsáveis por ela transmitem sua própria maneira de entender essa realidade”, completa.
Vieira disse que o conceito de família homoparental ainda está em construção. Os casais homossexuais usam como referência o modelo heterossexual, “o que não significa que este modelo de família seja o único possível.”

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